
Histórias para Dormir
Os sapos Pulinho e Saltinho
Pertinho de umas matas e uns campos, tinha uma lagoa bem tranquila. Nela boiavam vitórias-régias lindas, rodeadas de plantas aquáticas. E do meio das plantas sempre se ouvia: “Croac, croac, croac!”. Eram dois sapinhos batendo papo na beira da água. Os nomes deles eram Pulinho e Saltinho. Eram irmãos e moravam ali fazia muito tempo.
Durante o dia, eles se escondiam do sol no meio das plantas. De noitinha, subiam numa vitória-régia e cantavam juntos a sua canção de boa noite. O pessoal que morava perto da lagoa já estava tão acostumado que só conseguia dormir depois de ouvir os sapinhos coaxarem. Mas, numa noite, aconteceu uma coisa diferente.
Quando escureceu e as estrelas foram aparecendo no céu, ficou tudo quieto. Nem um coaxar. Nem um croac lá da lagoa. Nada! Ali pertinho morava o vovô José, que cuidava da lagoa desde sempre e conhecia muito bem os dois sapinhos. Ele sabia que, se de noite não ouvisse a cantoria deles, era porque alguma coisa tinha acontecido. Então foi até lá dar uma olhada.
Ele foi andando no meio das plantas, afastando as folhas com a bengala. De repente, Saltinho apareceu na frente dele, pulando alto. Pulava tão alto que o vovô José ficou espantado. “O que foi, Saltinho? Aconteceu alguma coisa com o seu irmão?”, perguntou o vovô, pegando o sapinho com cuidado. Saltinho balançou a cabeça, todo agitado, dizendo que sim. “Então me leve até ele. Rápido, por favor”, pediu o vovô, colocando o sapinho no chão. Saltinho saiu pulando para dentro do mato e levou o vovô até o irmão.
Logo encontraram Pulinho deitado de barriga para cima, respirando com dificuldade. A barriguinha dele estava bem inchada. O vovô se abaixou, escutou a respiração dele e disse: “Pulinho está com dor de barriga. Deve ter comido alguma coisa estragada. Ele precisa de um chá de ervas o quanto antes. Não se preocupe, Saltinho: vou levar o seu irmão para casa e cuidar dele. Daqui a uns dias, ele vai estar bom. Venha comigo!”. Com todo o cuidado, o vovô José pegou Pulinho nas mãos e saiu depressa.
Em casa, ele preparou um banho de água morninha e foi dando a Pulinho um chá especial de ervas medicinais, que só ele sabia fazer. Saltinho ficou o tempo todo do lado do irmão, cuidando dele.
Em poucos dias, Pulinho estava que nem peixe dentro d’água. Quer dizer, que nem sapo na lagoa! A barriguinha desinchou e parou de doer, e ele já conseguia pular e cantar como antes. Logo Pulinho e Saltinho estavam de volta à lagoa, felizes e agradecidos ao vovô, que cuida tão bem da lagoa e de todos que vivem nela.
Naquela noite, e em todas as outras, os sapinhos voltaram a cantar a sua canção de boa noite. E o vovô José? Dorme sorrindo, ouvindo os amiguinhos cantarem. E Pulinho e Saltinho aprenderam uma lição importante: é preciso tomar muito cuidado com o que a gente come!
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