Os duendes da noite e a lista de desejos secretos

Quando o sol se esconde e o céu fica bem escuro, é sinal de que a hora de dormir está chegando. Tudo fica quietinho, e só de vez em quando se ouve um pequeno “tlim”, quando uma nova estrelinha aparece lá no alto.

As luzes dos quartos das crianças se apagam, e logo dá para ouvir a respiração tranquila de quem já caiu no sono. É justamente nessa hora que os pequenos duendes da noite começam a espiar pelas janelas. Eles são homenzinhos brilhantes, todos prateados, e que têm uma missão muito especial: cuidar dos desejos das crianças.

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Os duendes da noite e a lista de desejos secretos

Quando a noite cai, eles entram de mansinho nos quartos das crianças e procuram um papelzinho: a lista de desejos secretos que cada criança escreveu. Os duendes leem tudo com muito carinho e tentam realizar cada pedido. Todas as noites eles ficam animados para começar a aventura de procurar as listas, ler os desejos e transformá-los em realidade. Eles sabem que fazer isso deixa as crianças muito felizes. Mas um dia aconteceu algo que deixou todos os duendes espantados.

Era uma noite fria. O outono estava terminando e os primeiros floquinhos de neve começavam a cair. Parecia até um conto de fadas. Tudo estava escuro, algumas estrelas brilhavam no céu, e entre os floquinhos de neve brincavam os pequenos duendes da noite. Eles espiavam cada janela, entravam nos quartos e saíam correndo com as listas nas mãos. Li­am os pedidos e já pensavam em como realizá-los. Depois, usavam seu pozinho prateado para fazer a magia acontecer.

Mas quando chegaram à janela de uma menina chamada Taís, ficaram confusos, ou melhor, assustados. Eles não encontraram nenhuma lista! Entraram no quarto dela e procuraram em todos os lugares. Nada. “O que vamos fazer? Será que a Taís não tem nenhum sonho? Nenhum desejo? Isso não pode ser! Toda criança deseja alguma coisa!”, um dos duendes disse. Os outros duendes balançaram a cabeça, preocupados. “Não podemos deixar isso assim. As crianças precisam sonhar! Precisam ter desejos! Se Taís não escreveu uma lista, nós vamos escrever um recado para ela!”, disse o duende mais velho. 

Então os duendes pegaram um papel e, com seu pó mágico, escreveram: “Querida Taís, passamos no seu quarto. Queríamos realizar seus desejos, mas não encontramos sua lista. Por favor, escreva uma até amanhã, para que possamos deixar você feliz. Assinado: Os duendes da noite”. Eles deixaram o bilhete no travesseiro da menina e foram embora.

De manhã, quando Taís acordou, o papel estava colado no seu rosto. Ela tirou, leu e achou que seus pais tinham escrito aquilo só para brincar. Então deixou o bilhete na mesinha e foi viver seu dia. 

À noite, na hora de dormir, a menina ficou pensando: “Será que foram mesmo meus pais? Ou… será que duendes existem de verdade?”. Aquela letrinha prateada parecia tão diferente, que Taís decidiu tentar ficar acordada o máximo que conseguisse para verificar.

Ela se deitou e esperou. Quando seus olhos já estavam quase fechando, a janela começou a se abrir bem devagar. Uma luz prateada entrou deslizando pelo quarto até sua cama. E Taís ouviu vozes bem baixinhas: “E então? Alguém encontrou a lista?”. A menina se sentou devagar e viu a luz prateada dançando sobre seu cobertor. E então percebeu que eram os pequenos duendes da noite. 

“Vocês… vocês existem mesmo?”, perguntou espantada. Os duendes levaram um susto tão grande ao ver que Taís estava acordada que até caíram da cama! A menina riu, sentou no chão e começou a fazer várias perguntas. Os duendes viram que ela não queria machucá-los, então responderam tudo. Contaram que trabalhavam à noite, que podiam realizar desejos e que ficaram muito tristes quando não encontraram sua lista. Então Taís explicou que tinha parado de acreditar em magia. Desde que seu cachorrinho morreu, ela não tinha mais vontade de desejar nada. Só sentia tristeza.

Os duendes ficaram com o coração apertado. Eles sabiam que não seria fácil animá-la, mas também não queriam desistir. Então resolveram fazer algo que nunca tinham feito antes. Quando Taís dormiu, os duendes foram até o quarto dos pais dela. Com seu pó prateado, colocaram nos sonhos da mãe a imagem de um cachorrinho para a menina. Encantaram também o coração da mãe, para que ela quisesse fazer isso de verdade.

Alguns dias depois, os duendes voltaram a pular pelas ruas. Espiaram pela janela e viram Taís dormindo com um sorriso no rosto. E bem ao lado da cama, deitado no chão, estava um cachorrinho de verdade. Mesmo dormindo, ela segurava a patinha dele. O feitiço tinha funcionado. Felizes, os duendes seguiram para a próxima casa, prontos para encontrar outra lista de desejos secretos. Eles sabiam que, quando realizavam um sonho, quem ficava ainda mais feliz eram eles mesmos.

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