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O sonho da Aninha, a menina que amava máquinas – conto para crianças

Histórias para Dormir

O sonho da Aninha, a menina que amava máquinas

Todas as meninas são especiais. Mas algumas, além disso, vivem aventuras muito especiais.

Quer saber que aventuras são essas? Então escute o que aconteceu com a pequena Aninha.

Desde sempre, a pequena Aninha se interessava por coisas que os outros nem notavam. E nenhum adulto entendia isso.

A família toda saía para passear, por exemplo, e de repente, do nada, a Aninha ficava pensativa. Logo depois gritava, toda animada: — Que lindo!

Até aí, nada de estranho. Afinal, a gente passeia justamente para apreciar as coisas bonitas. Só que os pais não entendiam uma coisa: a Aninha quase nunca dizia “Que lindo!” quando via uma florzinha ou uma borboleta. Que nada! O que encantava a Aninha eram as construções e as máquinas.

Ela pulava de alegria quando passavam perto dos trilhos e um trem passava fazendo barulhão. Ficava radiante quando via os guindastes enormes de uma obra ou as pontes gigantes de aço. E cada carro que passava, ela olhava com toda a atenção do mundo.

E assim chegamos a uma noite abafada de verão, que mudou tudo para a Aninha.

Cansada com todo aquele calor, a Aninha foi cedinho para a cama. Os pensamentos dela correram logo para os seus queridos carros e trenzinhos. E bem de mansinho, sem que ela nem percebesse, o sono chegou trazendo um sonho.

Ela sonhou que estava sentada com a mamãe e o papai num caramanchão debaixo de uma árvore, olhando para o céu. Os pais estavam conversando, e por isso não viram o que a Aninha viu.

Lá no alto, bem no alto do céu, apareceu uma coisa esquisita. Um passarinho? Acho que não, passarinho não brilha com todas as cores do arco-íris. Aquela coisa vinha chegando depressa, e quando a Aninha finalmente entendeu o que era, quase explodiu de alegria. Era um carro voador de verdade! E, como se não bastasse, vinha direitinho na direção deles!

A Aninha ficou na pontinha dos pés para ver melhor, mas nem precisou esperar muito. O carrinho colorido acelerou, depois freou e parou suavemente bem na frente do caramanchão. Tudo em volta ficou coberto de um pozinho brilhante.

Não tinha ninguém no volante. De debaixo do capô saiu uma voz simpática, mas bem alta, parecida com a voz da vizinha deles, a dona Estela.

— Aninha, sobe aí! Quer viver uma aventura?

Ninguém precisou falar duas vezes. Voar acima das nuvens num carro mágico? Claro que sim! Que oportunidade!

— Claro que eu quero! — disse ela, toda afobada. — Mas e a mamãe e o papai? Eles vão ficar preocupados comigo!

— Não vão, porque eu vou enfeitiçá-los! — respondeu o carrinho, e o volante começou a girar, girar sem parar. Dele saiu uma nuvenzinha roxa e brilhante, que dançou no ar, subiu e depois desceu sobre tudo ao redor.

— Não tenha medo, Aninha, não vai acontecer nada com eles. Eu só parei o tempo — explicou o carrinho mágico. — Quando a gente voltar, não vai ter passado nem um segundinho. E enquanto isso, você vem conhecer o meu reino!

A Aninha pulou no banco. Presa por cintos mágicos, lá foi ela no carro misterioso, disparando entre as nuvens. Cidades, campos e florestas foram ficando cada vez mais longe. No céu apareceu um portão cor-de-rosa enorme. O carrinho passou por ele, e o portão se fechou atrás deles com um estrondo.

Mas que lugar! A Aninha esfregava os olhos de tanta felicidade. E de espanto também: por todo lado, máquinas de todos os formatos rodavam, navegavam e voavam.

Num rio azul-turquesa apitava um barco a vapor com cara de dragão. Por uma ponte alta e fininha passava um trem com asas de peninhas. E no céu davam voltas carros de corrida cor de salmão.

— Pois esta é a minha terra — disse o carrinho arco-íris, que a Aninha, em pensamento, já tinha começado a chamar de Estela. — Você está aqui porque foi escolhida.

— Como assim? Escolhida? Para quê? — A Aninha não via a hora de saber a resposta.

Em vez de responder, a Estela balançou o capô três vezes. Lá de dentro saiu voando um aparelhinho que zumbia, cheio de engrenagens girando.

— Isto é para você. Pegue e leve até a boca. — Quando a Aninha fez isso, aconteceu uma coisa incrível. O aparelhinho ficou um instante coberto de névoa e depois virou uma fruta suculenta, da cor do ouro puro.

— O que você quer ser quando crescer, Aninha? — perguntou o carrinho encantado.

— Quero construir encanamentos, pontes e guindastes! Quero fazer os carros andarem sozinhos! — respondeu a Aninha, sem pensar duas vezes.

A Estela deu uma voltinha e brilhou toda. — Foi o que eu imaginei. Por isso te dei a fruta dos inventores. Quando você comer, vai começar a enxergar mais longe que os outros. Vai começar a construir maravilhas.

A Aninha não hesitou nem um pouquinho. Mordeu a fruta mágica, e ela era mais gostosa que o melhor waffle com chantilly. A Aninha sentiu que era ali mesmo o lugar dela.

E com certeza ela teria explorado cada cantinho daquela terra, se bem naquela hora, lá longe, no mundo de todo dia, o despertador não tivesse tocado.

A Aninha esfregou os olhos, meio de má vontade. O carrinho mágico tinha ido embora. A terra maravilhosa de onde ele veio também tinha sumido. A Aninha ficou tristinha, mas logo suspirou cheia de esperança. Ela ainda lembrava do gosto da fruta do sonho.

E não tinha nenhuma dúvida de que aquilo tinha sido mais que um sonho. Quando, na escola, dois meninos mal-educados começaram a dizer que menina só serve para brincar de boneca, ela nem olhou para eles.

Na cabeça dela já estava nascendo um motor que um dia ia mudar o mundo.

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