
Histórias para Dormir
O lobo Miguel
Bem longe, lá no alto das montanhas, onde só tinha neve e nenhuma gente, morava uma alcateia de lobos. Eles viviam numa caverna, que os protegia do vento e daquele frio de doer que fazia por toda parte. A vida nas montanhas não era nada fácil, mas era melhor do que morar perto das pessoas. Como toda alcateia de verdade, os lobos faziam tudo juntos, viviam contentes e sempre unidos.
Só uma coisa incomodava os lobos: a família de ursos que morava do outro lado da montanha. Lobo e urso não se bicavam. Ninguém sabe por que nem quando isso começou, mas sempre tinha sido assim.
Um dia, nasceu um filhotinho na alcateia: o pequeno Miguel. Ele era lindo, desajeitado e curioso que só. Vivia pulando e levando tombo. Queria experimentar e conhecer tudo, e de preferência na mesma hora! Quase o tempo todo a mamãe loba ficava de olho nele, mas de vez em quando ele dava um jeito de escapulir, porque queria explorar tudo sozinho. No mundinho dele, tinha tanta coisa interessante! E ele adorava brincar na neve: enfiava o focinho o mais fundo que conseguia, depois jogava a neve para o alto e pulava nela.
Uma vez, brincando do lado de fora da caverna, o Miguel sentiu um cheiro diferente. Levantou o focinho bem alto e tentou descobrir de onde vinha. Foi seguindo aquele cheiro e nem percebeu que estava se afastando da caverna. Mas o cheiro era tão gostoso que ele continuou andando, até chegar a uma coisa estranha, de onde ele vinha.
Era laranja, crepitava e soltava um calorzinho. Era fogo, mas o Miguel nunca tinha visto aquilo. E onde tem fogo, com certeza tem gente. De repente, alguém jogou uma rede em cima dele! O Miguel não enxergava nada e não conseguia se mexer. Só ouvia umas vozes estranhas: “Que belezura de presa! Vamos ganhar um dinheirão com ele.” Eram caçadores malvados, que pegavam os bichos para depois vender. O pequeno Miguel não conseguia sair da rede. Tentou, tentou, mas as forças já estavam acabando, quando de repente levou um susto com um rugido enorme. Pela rede ele quase não via nada, mas reconheceu aquele som. Era um urso! O urso estava de pé nas patas de trás, balançando as patas da frente e rugindo feito uma fera de verdade.
Os caçadores deram no pé, correndo o mais rápido que podiam. O urso voltou a ficar de quatro, chegou perto da rede, olhou para o Miguel e disse: “Não tenha medo, pequenininho. Eu vou te ajudar e te levar para casa.” Colocou o lobinho nas costas e o levou até a caverna, de volta para a alcateia.
A mamãe loba estava morrendo de preocupação. Quando viu um urso chegando perto da caverna com o filhote dela nas costas, nem acreditou.
Desde esse dia, lobos e ursos vivem em paz. Esqueceram toda aquela briga antiga e se juntaram para enfrentar os caçadores malvados. Assim mostraram para todo mundo que é melhor perdoar e fazer as pazes do que ficar de mal. Afinal, a união faz a força!
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