Era uma vez um reino rico, governado por um velho rei. Mas, apesar da riqueza, o povo vivia em grande dificuldade.
Na aldeia, que ficava aos pés das muralhas do castelo, morava o jovem ferreiro José. Ele trabalhava dia e noite ao lado do pai já idoso. O som dos martelos batendo no ferro ecoava por toda a aldeia, mas, por mais que trabalhassem duro, mal conseguiam garantir um pedaço de pão ou uma jarra de vinho.
A Guarda Real vinha sempre cobrar impostos altos, não deixando quase nada para os moradores. Assim, a pobreza se espalhava pela aldeia como uma doença.

Numa noite fria, quando o pai já tinha ido se deitar, José se preparava para fechar a oficina. De repente, a sineta da porta tocou. Um senhor entrou: usava um chapéu que escondia o rosto, uma longa barba cinzenta e suja, roupas rasgadas e uma bengala para se apoiar. Na outra mão, carregava um machado gasto e maltratado.
“Boa noite, jovem, poderia consertar este machado para mim?”, pediu com a voz rouca. “Preciso dele para cortar lenha.”
José limpou as mãos na velha camisa e pegou o machado.
“Claro, senhor. Temos muito trabalho, então volte daqui a quatro dias, neste mesmo horário.”
O velhinho agradeceu com um leve aceno. Mas, antes mesmo de sair, a porta da ferraria foi escancarada com tanta força que a sineta caiu no chão. Os soldados da Guarda Real entraram com expressões duras e ameaçadoras.
“Impostos! Hora de pagar!”, gritou o capitão, empurrando o ancião para o lado. “O Rei exige a sua parte!”
José correu até o cofre e entregou as moedas que tinha. Os guardas olharam lá dentro e viram três moedas a mais. Pegaram duas e deixaram apenas uma.
“Isso pode ser suficiente…”, zombou o capitão, saindo com seus homens tão rápido quanto entrara.
O homem observava em silêncio. José apertou a moeda na mão e pensou, entristecido:
“Deixaram apenas uma… o que vou dizer ao meu pai?”
O velhinho colocou a mão em seu ombro e murmurou:
“Eles também estão tirando de mim…”
Nos dias seguintes, José continuou o trabalho pesado da ferraria. Mas, nas noites silenciosas, dedicava-se em segredo ao conserto do machado, determinado a ajudar o estranho.
No quarto dia, quando o sol se escondia atrás das montanhas, a sineta tocou de novo. O ancião voltou. Levava as mãos aos bolsos, mas estavam vazios e furados. As lágrimas escorriam por sua barba.
“Não tenho dinheiro, senhor…”, disse com a voz embargada. “Os soldados levaram tudo. Sem esse machado… não sei como sustentar minha família.”
José olhou para ele e depois para o machado, já restaurado em suas mãos. Sorriu, entregou-o ao homem e disse:
“É por conta da casa. Não precisa se preocupar. Aqui está o seu machado. Agora vai poder cuidar da sua família.”
O senhor pegou o machado como se fosse um tesouro, com lágrimas nos olhos.
“Vai ficar só entre nós!”, disse José, piscando para ele.
Dois dias depois, o homem do machado voltou. Mas, para a surpresa de José, endireitou-se, largou a bengala, tirou o chapéu e limpou a barba falsa. Diante do ferreiro estava o príncipe Ronaldo, filho do rei.
“Você foi bondoso mesmo sem ter quase nada!”, disse o príncipe, com voz firme e grata. “Eu estava disfarçado para conhecer a vida do nosso povo. Vi como os soldados cobram impostos com crueldade. Eu e meu pai não sabíamos que eles chegavam a esse ponto. Isso não pode continuar.”
Juntos, José e o príncipe reuniram o povo na praça. Os guardas foram chamados, o rei apareceu e toda a aldeia aguardava em silêncio.
Na frente de todos, o príncipe Ronaldo mandou os soldados devolverem o que haviam tirado. Sem escolha, eles entregaram as moedas de volta.
E o rei decretou: dali em diante, os guardas não seriam mais coletores de impostos, mas trabalhariam para o povo, limpando ruas e juntando lenha, recebendo apenas comida em troca.
A multidão aplaudiu e gritou de alegria. O coração de José bateu forte: seu pequeno gesto de bondade havia mudado o destino de todo o reino.
A partir daquele dia, a justiça passou a reinar. José, além de continuar na ferraria, ganhou uma nova responsabilidade. Ao lado do príncipe Ronaldo, escolheu jovens de toda a aldeia e os treinou para serem guardas honrados.
Assim, o jovem ferreiro José se tornou capitão deles. E, no reino, passaram a viver melhor do que nunca.
História linda! Meu filho de 6 anos ficou emocionado e disse que quase chorou.🥲 Nós amamos histórias com lição de moral, ensinam muito as crianças. ❤️