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Contos para crianças - O diabo e a costureira

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O diabo e a costureira

Faz muito tempo, existia uma costureira que, com agulha e linha, era jeitosa como nenhuma outra. Ela vivia até se gabando de que, em matéria de costura, ganhava até do próprio diabo.

Só que é justamente esse tipo de conversa que os diabos adoram escutar. Lá no inferno, eles ficam dia e noite com aquelas orelhonas sujas e peludas em pé, e é só alguém falar no diabo que eles já sabem direitinho onde ir esperar o coitado. E foi assim que um deles saiu lá das profundezas do inferno e subiu para medir forças com a costureira linguaruda.

Chegou todo apressado e já foi querendo combinar as regras da competição. Mas a costureira tentou escapar daquela diabrura: “Seu Diabo, não sei o que lhe contaram, mas eu não quero saber de competição de costura nenhuma.”

“Lá do inferno a gente ouviu muito bem. Você não queria competir com o diabo na costura? Pois agora mostra do que é capaz. Se perder, eu te levo comigo para o inferno”, teimou o diabo.

Não teve jeito: era começar. As regras foram combinadas rapidinho: quem terminasse de costurar uma camisa primeiro, ganhava.

Enquanto era só tirar medida e cortar o pano, o diabo não ficou atrás da costureira em nada. Mas, quando chegou a hora da agulha e da linha, a coisa enroscou. Para a costureira, não: num piscar de olhos ela passou a linha pelo buraco da agulha, cortou um pedaço e deu um nozinho na ponta. Afinal, aquilo era o pão de cada dia dela. E começou a costurar com toda a prática.

Quando o diabo finalmente conseguiu enfiar a linha naquele buraquinho minúsculo, resolveu economizar tempo para a próxima vez e passou logo o carretel inteiro pela agulha. Só que com isso ele se enrolou todo. A cada ponto, tinha que dar três voltas correndo em volta da casa para puxar a linha toda. E, para piorar, na primeira vez esqueceu de dar o nó, então correu em volta da casa à toa, sem conseguir dar um único ponto. No fim, ele estava todo enrolado na linha, junto com a casa!

E a costureira já tinha terminado a camisa! Suspirou aliviada por ter ganhado e prometeu a si mesma que nunca mais ia ficar se exibindo daquele jeito. Depois foi dar uma olhada no trabalho do rival e viu o trapalhão que o diabo era: ele não tinha costurado nada!

O diabo ficou vermelho de vergonha e sumiu de volta para o inferno. E, desde então, tomava muito cuidado para não entrar em competição nenhuma com costureira nenhuma. Mas a falta de jeito dele ficou por muito tempo na memória do povo da aldeia. Sempre que alguém fazia um serviço malfeito, logo diziam, rindo, que era igual ao diabo, que deu três voltas em volta da casa e mesmo assim não deu nem um ponto.

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