Pablo era um garotinho que estava sempre muito ocupado. Ele vivia inventando coisas: uma hora era cozinheiro e preparava receitas com barro e grama, outra hora era um cavaleiro corajoso que protegia o castelo feito de cobertores. Sua imaginação e suas criações não tinham fim, ele adorava brincar de faz de conta e tinha amigos para brincar com ele. Mas, mesmo assim, Pablo sentia que faltava alguma coisa. O que será?
Em uma tarde chuvosa, apesar de não estar frio, não dava para brincar na rua, porque havia poças por todo lado e tudo estava molhado. Pablo estava brincando com carrinhos no seu quarto. Ele construiu garagens e pontes suspensas com os blocos de montar, e dirigia seus carrinhos pelo quarto. A mãe de Pablo também estava cheia de afazeres. Lavava, passava, cozinhava e limpava. Como toda mãe, ela estava sempre ocupada cuidando da casa.

No fim da tarde, quando Pablo terminou de brincar, sua mãe estava cansada de tanto trabalhar e queria descansar um pouco. Deitou-se no sofá e começou a olhar o celular. Pablo foi até ela algumas vezes, com alguma ideia ou brinquedo, mas sempre ouvia a mesma resposta: “Espera só um pouquinho, filho. Daqui a pouco brincamos”. Então o menino voltava para o quarto e pensava no que mais poderia fazer. Ele sabia que a mãe não estava sendo má, ela estava apenas cansada, precisava descansar um pouco. Mesmo assim, ele ficou triste, pois queria que ela tivesse tempo para brincar com ele.
Foi então que Pablo teve uma ideia: pegou um lápis e papel e começou a escrever seus desejos secretos numa carta. Depois, naquela noite, colocou a carta em um envelope e deixou atrás da janela. Ele esperava que uma mágica acontecesse, uma fada ou alguém pudesse ler e realizar seus desejos.
Quando a noite caiu, a mãe foi até o quarto dar um beijo de boa noite em Pablo. Quando ele dormiu, ela viu o envelope atrás da janela. Pegou-o silenciosamente e começou a ler, até que seus olhos se encheram de lágrimas. Estava escrito: “Eu gostaria que a mamãe largasse o celular e viesse brincar comigo, para juntos construirmos um castelo. Eu prometo que depois não vou incomodar mais”. Quando terminou de ler, ela estava chorando, pois não imaginava o quanto Pablo a amava e sentia falta da sua presença. Decidiu então que realizaria esse desejo.
No dia seguinte, como de costume, ela tinha muitas tarefas para fazer. Mas, depois que terminou tudo, não pegou o celular ou se deitou para ver TV. Em vez disso, foi até o quarto de Pablo e perguntou: “Vamos construir um castelo juntos?”. O filho pulou de alegria e abraçou a mãe. Começou logo a empilhar blocos e explicar como o castelo poderia ser. A mãe deitou no tapete ao lado dele e admirou o pequeno construtor talentoso que tinha em casa.
Até hoje Pablo não sabe como seu desejo se realizou. Será que a fada realmente leu sua carta? O mais importante é que deu certo. E a mamãe? Apesar de ainda ter muitas obrigações, desde aquele dia nunca mais esqueceu que o tempo que dedica ao filho é o melhor e mais importante trabalho de todos. Agora você sabe o que estava faltando para Pablo, certo? A mamãe. Mesmo que ela estivesse em casa, não estava com ele. Mas isso mudou.
Meu filho amou e foi um puxão de orelha para mim, kkkkk!!!