
Histórias para Dormir
O canto do coração
Lá atrás de uma floresta bem fechada, tem um campo lindo. É cheio de flores coloridas e cheirosas, de árvores e de arbustinhos baixos. Por ali voa um monte de passarinhos, que moram nos seus ninhos lá no alto das árvores e adoram cantar.
Um dia, aconteceu uma coisa muito especial: os passarinhos resolveram fazer um concurso de canto! Todos estavam animados e tinham treinado bastante as músicas mais bonitas para cantar na frente de um júri muito importante: três corujas sabidas, que vieram da floresta só para ouvir os cantores.
O primeiro a cantar foi Carlos, um pássaro grande com um penacho colorido na cabeça. Ele pousou num galho bem na frente do júri, estufou o peito e começou: “Sou o melhor cantor que há, sou o pássaro mais bonito de cá! Quando ouvirem a minha canção, vão cair sentados no chão!”. As corujas escutaram tudo com atenção e foram anotando nos seus caderninhos.
Depois foi a vez de Kevin, um passarinho tão bonito que dava gosto de ver. As corujas apuraram os ouvidos, e Kevin começou: “Sou um pássaro lindo, de dar inveja, e canto melhor que qualquer um, ora veja! Todo dia no espelho eu me olho, contente, e a minha beleza encanta toda a gente”. As corujas balançavam a cabeça e escutavam como a melodia era bonita. E pensavam, pensavam, sem saber como iam avaliar aqueles cantores.
Por último veio Daniel, um passarinho pequenininho e colorido. Ele parou na frente do júri, meio tímido. Respirou fundo, fechou os olhos e cantou de coração: “Quando alguém está tristinho, seja quem for, com a minha cantiga o dia fica melhor. Não sou grande nem bonito, é verdade, mas cantando eu espalho felicidade. Quem gosta de música também sabe sorrir, então cante e alegre quem está por aí!”. Quando terminou, Daniel fez uma reverência tímida e saiu pulando para o meio dos outros.
As corujas começaram a cochichar. Ficaram um tempão discutindo quem tinha sido o melhor. Até que uma delas se levantou e disse: “Por favor, chamem aqui os três cantores”. Os três passarinhos chegaram pulando e ficaram olhando para ela, nervosos. A coruja continuou: “Queridos cantores, já temos um vencedor”. Na mesma hora, a passarada começou a cochichar e a fazer um burburinho. Cada um apostava num cantor diferente.
Até que a coruja levantou a voz e anunciou: “O vencedor é… o passarinho Daniel!”. Que surpresa! Ninguém tinha apostado nele. Era um passarinho tão pequeno e simples… Já Carlos e Kevin eram bonitos, elegantes e cantavam muito bem.
Então a coruja explicou: “Carlos e Kevin cantaram maravilhosamente, os dois. Disso ninguém duvida. Mas também importa sobre o que a gente canta. Os dois só cantaram sobre eles mesmos, sobre como são bonitos e incríveis. Daniel, não: ele cantou pensando nos outros. Ele quis espalhar alegria com a música dele. E é isso que faz um cantor ser especial de verdade”.
Todos começaram a bater palmas e a concordar com a decisão tão sábia das corujas. Daniel ficou felicíssimo. E agradeceu de coração às corujas por não terem olhado só para a beleza dos cantores, mas por terem escutado com atenção e escolhido com sabedoria.
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