
Histórias para Dormir
O avião mesquinho
Bem longe de uma cidadezinha havia um pequeno aeroporto com dois aviões. Um era azul e o outro, verde. Como eram aviõezinhos pequenos, todo mundo que os conhecia chamava os dois de Azulzinho e Verdinho. Durante o dia, as pessoas podiam voar neles quando queriam fazer um passeio para ver a paisagem lá de cima. Elas entravam, e os aviões as levavam para cá e para lá, de cidadezinha em cidadezinha, de cidade em cidade, pelo céu inteiro. Era uma maravilha. Mas, de noite, os aviõezinhos tinham outra vida.
Pouca gente sabia que, assim que as luzes se apagavam e a cidadezinha inteira ia dormir, os aviõezinhos ganhavam vida. Acendiam as luzes, davam uma olhada em volta para ver se não tinha ninguém por perto e, aí, decolavam. Voavam para longe, davam cambalhotas no ar e curtiam muito não ter que levar ninguém. A essa hora, os passarinhos já estavam dormindo fazia tempo, e nenhum outro avião voava por ali. Só eles dois: o Azulzinho e o Verdinho.
Uma noite, enquanto voavam, o Azulzinho começou a dar uns trancos do nada, como se o motor estivesse falhando. Ele se examinou correndo, mas não achou nada. Até que acendeu uma luzinha de alerta: estava quase sem combustível! Ele começou a chamar o Verdinho: “Amigo, por favor, me ajuda! Chega mais perto e me passa um pouco de combustível. Não vou conseguir chegar ao chão a tempo e não quero cair”. O Verdinho olhou para ele e respondeu, seco: “Eu também tenho pouco. Você devia ter abastecido antes de a gente sair”.
O Azulzinho não podia acreditar. Pediu mais algumas vezes, mas o Verdinho resolveu ser mesquinho e pronto. Não teve jeito: o Azulzinho precisou tentar pousar. Só que ele estava longe do aeroporto. Viu um campo e tentou ali mesmo, mas vinha rápido demais, bateu com força no chão e quebrou uma asa. Ficou lá caído, gemendo. Um baque daqueles teria acordado qualquer um. Logo as pessoas se juntaram em volta dele, tentaram consertá-lo e levá-lo de volta para o aeroporto.
Enquanto isso, o Verdinho voltou. Estacionou no seu cantinho, apagou todas as luzes e ficou muito triste. Tinha percebido que tudo aquilo só tinha acontecido com o Azulzinho porque ele foi mesquinho e não quis dividir um pouco de combustível. “E se ele tivesse quebrado de vez? E se eu ficasse sozinho para sempre?”, pensou em voz alta.
O conserto do Azulzinho demorou muito. E, durante todo esse tempo, o Verdinho cuidou dele. Também pediu desculpas na hora e prometeu que nunca mais seria egoísta e que ia ajudar o amigo sempre que precisasse. Depois de um tempo, os dois aviõezinhos voltaram a aparecer no céu. Voavam pertinho um do outro, para poderem se ajudar a qualquer momento. O Azulzinho perdoou o amigo, e o Verdinho nunca mais foi mesquinho, porque tinha aprendido que a amizade vale mais.
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