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Histórias curtas para crianças - Jean e o bandido bondoso

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Jean e o bandido bondoso

Na floresta escura, bem distante, vivia um bandido com uma barba longa e emaranhada, um chapéu todo rasgado e, por baixo dele, despontavam cabelos pretos e desgrenhados. Ele morava em uma caverna bem escondida entre as pedras mais altas. Embora fosse um ladrão, ele não era malvado, só não sabia fazer outra coisa além de roubar.

Seu pai lhe ensinou a roubar, assim como seu avô, e ele nem imaginava que podia viver fazendo algo diferente disso. Ele não machucava ninguém, só pegava um pouco do dinheiro de quem tinha muito, mas todas as pessoas da região tinham medo da floresta escura e faziam questão de passar bem longe dela. Ninguém queria encontrar o bandido, exceto uma única pessoa: Jean.

Jean era um rapaz esperto, animado e morava perto da floresta escura cheia de pedras. Ele gostava de ir à floresta e não tinha medo nenhum do bandido, pelo contrário, tinha certeza de que o bandido era na verdade uma boa pessoa. Então decidiu mostrar para ele que dava para fazer outras coisas, e se divertir sem roubar. Mas como explicar isso para um bandido? Ele não podia simplesmente chegar e dizer para o bandido parar de roubar e começar a trabalhar. Com certeza, ele teria que tentar de alguma outra maneira. 

Certa manhã, Jean partiu para a floresta perto das pedras mais altas. O solzinho iluminava seu caminho, os passarinhos cantavam ao seu redor e o rapaz assobiava no ritmo de seus passos, bem alegre. Até que do nada, o bandido apareceu na sua frente, saindo de trás de uma árvore e com uma espingarda na mão, gritou: “Passa o dinheiro! Me dê o dinheiro, ou você vai ver!”. Mas Jean, em vez de se assustar, já estava esperando ansioso pelo bandido. Então, olhou para ele com calma e disse: “Dinheiro eu não tenho, mas tenho uma proposta”.

“Proposta? Que proposta você pode ter para mim? Eu não negocio nada com ninguém”, respondeu o bandido surpreso. “Espera, nobre bandido, apenas me escute”, continuou Jean. Então pensou um pouco, acenou com a mão e acrescentou: “Pensando bem, deixa pra lá… Melhor não, você provavelmente não conseguiria mesmo! Pouca gente é capaz de fazer isso”.

Quando o bandido ouviu aquilo, ficou furioso e gritou: “Como assim eu não conseguiria?! Quem você acha que eu sou? Eu sou o grande bandido, sou capaz de tudo! Absolutamente tudo! Diga logo, o que você queria me propor!”.

Jean sorriu, porque já sabia que, a partir dali, tinha conseguido enganar ele. Então explicou: “Você precisa fazer pelo menos uma boa ação, todos os dias”.

“Boa ação? E por que eu deveria fazer isso?”, perguntou o bandido. “Bem, eu disse que isso é só para os corajosos. Então deixa pra lá, vou propor para outra pessoa, que vai se dar muito bem”, disse Jean em tom de provocação.

“Espera! Não vá embora! Você está dizendo que quem faz uma boa ação vai se dar bem? Me conta mais sobre isso”, disse o bandido, enquanto Jean já ia embora. E então Jean explicou: “A mágica está em fazer pelo menos uma boa ação por dia, você pode até fazer mais, mas pelo menos uma é obrigatório. Uma boa ação significa que você deve ajudar alguém, de alguma forma e por vontade própria, sem que ninguém peça para você. E então verá como isso volta para você e como você vai se sentir muito bem”.

O bandido ficou pensativo, e decidiu que iria tentar, pois não queria que dissessem que ele não conseguia fazer algo. Ele começou a andar pela floresta procurando alguém para ajudar, e depois de um tempo, encontrou uma senhorinha. Ela estava carregando uma sacola muito pesada. O bandido correu até ela e carregou a sacola até a casa dela. Depois, na floresta, viu uma carroça com a roda quebrada, e por isso os cavalos não conseguiam puxá-la. O bandido logo consertou a roda.

Daquele dia em diante, todos os dias, o bandido ajudava alguém, e com isso, as notícias sobre o bandido bondoso se espalharam por toda a região. As pessoas pararam de ter medo de entrar na floresta. Pelo contrário, passavam por ali de propósito, porque sabiam que nada de ruim aconteceria se o bandido bondoso estivesse por perto. Além disso, traziam dinheiro ou alguma comida gostosa, que davam de presente ao bandido pela ajuda. E assim o bandido, que antes roubava, se transformou no bandido que ajudava, e sua vida ficou muito melhor do que antes. Ele não só se sentia muito bem por ajudar, como também ganhava muito mais coisas e dinheiro do que antes.

E o Jean? Ficou muito feliz por ter feito parte da mudança do bandido. Eles viraram melhores amigos e todos os dias passeiam pela floresta, contando um para o outro a quem ajudaram, com o que ajudaram, o que ganharam por isso, e como se sentem bem com boas ações.

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1 comentário

  1. Clara

    Amei a historinha. Leio elas todas as noites pra minha namorada dormir.

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