
Histórias para Dormir
Filhotes de águia
Bem longe, lá no alto das montanhas, existem uns cantinhos onde as águias fazem seus ninhos. Eles ficam tão no alto que nem dá para ver lá de baixo. Só chegando bem perto do pé do penhasco é que, quem sabe, dá para ver a mamãe ou o papai águia saindo para lá e para cá.
Quase sempre, eles saem para buscar comida. Deixam os filhotinhos no ninho e voam para longe, atrás de alguma coisa gostosa para eles comerem, para que cresçam fortes e saudáveis. Quando os filhotes ficam um pouquinho maiores, chega a hora de saírem do ninho, testarem a força das asas e aprenderem a voar.
Num desses ninhos, no pico mais alto de um rochedo, morava uma família de águias: a mamãe, o papai e dois filhotes, a Jade e o Ravi. O Ravi tinha a mesma idade da irmãzinha, mas era maior, mais forte e mais corajoso. Ele gostava demais da Jade e ajudava a irmã em tudo, principalmente quando era preciso ter coragem. Era um irmão mais velho de verdade.
Quando chegou a hora de voarem sozinhos, a Jade ficou morrendo de medo. Os dois ficaram na beirinha do ninho, olhando para baixo, e lá embaixo era alto que só vendo! Os pais esperavam ali atrás, com paciência, prontos para ajudar assim que um deles tomasse coragem e saísse voando. O Ravi estava louco para ir e já ia dar um passinho para a frente, mas olhou para a Jade e não conseguiu. Ela estava paradinha, com medo nos olhos e as asas e as pernas duras. Não conseguia nem se mexer.
O Ravi chegou pertinho dela e perguntou: “Jade, o que foi?”. “Ravi, eu não consigo. Estou com muito medo. É alto demais. Acho que eu nunca vou ser uma águia de verdade”, disse ela, tristinha, baixando a cabeça e dando um passo para trás. O Ravi sabia que tinha chegado a hora: era hoje que ele precisava voar. Mas não queria ir sem a irmãzinha. Foi aí que ele teve uma ideia.
Ele precisava fazer a Jade se sentir segura, para ela perder o medo. Então disse: “Jade, eu vou voar embaixo de você. Eu sou maior. Se você não conseguir, ou se ficar com medo, eu te carrego. Vou ficar sempre embaixo de você, segurando. Não precisa ter medo!”. A Jade juntou toda a coragem que tinha e foi bem para a beirinha do ninho. As pernas tremiam, as asas estavam duras… Quando olhou lá para baixo, perdeu o fôlego. Aí sentiu o irmão fazer um carinho nela com a asa e sorrir para ela. Ele não disse nada, mas ela sabia que ele ia ajudar.
Três, dois, um… já! Os dois pularam e se deixaram levar pelo vento. Batiam as asas como dava. O tempo todo, o Ravi voou embaixo da Jade, para poder carregar a irmã se ela cansasse. De vez em quando dava uma ajudinha, quando ela perdia o equilíbrio. E logo, logo os dois estavam voando como águias grandes. A Jade ficou muito agradecida por ter o irmão do lado no primeiro voo.
Se um dia você for às montanhas altas e vir águias voando lá em cima, pode ser que duas delas sejam a Jade e o Ravi. Dá para reconhecer os dois porque estão sempre voando juntinhos, prontos para ajudar um ao outro, desde o primeiro voo até hoje.
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