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Contos para crianças - Como o unicórnio venceu o vegetal

Histórias para Dormir

Como o unicórnio venceu o vegetal

Era uma vez uma família de unicórnios que morava num campo de flores, bem no pé do arco-íris. Do ladinho do campo, eles tinham uma horta com cenoura, brócolis, couve-flor, ervilha e outras verduras e legumes que todo unicórnio adora comer para ficar saudável.

Todo unicórnio, menos o maior de todos, o chefe da manada, que gostava de ser chamado de Chifre Doce. É que ele era louco por doce. E adorava escapar escondido para a cidade, onde as crianças davam para ele bala, chocolate e biscoito. Quando tinha que comer verdura em casa, não queria de jeito nenhum.

Só que, quando um unicórnio come doce por muito tempo, ele começa a ficar doente. Dá para perceber porque o chifre começa a ficar marrom. E foi isso mesmo que aconteceu com o grande Chifre Doce. Ele se olhou no espelho e ficou muito preocupado com o chifre. Se ficasse todo marrom, podia até se esfarelar! E o que seria de um unicórnio sem chifre?

Na mesma hora, ele correu com o problema até a velha unicórnia que entendia de ervas medicinais e era a doutora da manada.

“Doutora! Me ajuda! Meu chifre ficou marrom! Olha só! Aqui na pontinha está começando a ficar marrom!”

A doutora olhou para o chifre do Chifre Doce, balançou a cabeça e disse: “Tá vendo, Chifre Doce? Isso é de tanto doce que você come. Se continuar assim, fugindo das verduras, seu chifre vai ficar marrom e cair.”

“Ah, não!”, gritou o Chifre Doce, apavorado. “Você não tem um comprimido ou uma erva para me curar?”

Mas a Doutora balançou a cabeça.

“Para isso só tem um remédio. Pare de comer doce e coma verdura.”

“Mas eu não gosto de verdura.”

“Então não tem jeito, não posso te ajudar”, encerrou a doutora, e foi embora.

O Chifre Doce passou a noite sem conseguir dormir. De manhã, quando os unicórnios foram tomar café, ele se sentou na frente de uma cenoura e ficou olhando para ela. Ficou encarando a cenoura um tempão, como se ela pudesse virar chocolate. Quando viu que cenoura ia continuar sendo cenoura, deu uma cheiradinha. Eca!, pensou, e se afastou. Ah, mas também não deve ser tão ruim assim. “Vou dar uma passadinha na cidade para comer uma coisinha e depois tento de novo”, disse para si mesmo, e foi seguindo o riacho até a cidade. No caminho, ficou com sede. Quando se abaixou para beber água, viu o chifre refletido. Parecia ainda mais marrom do que no dia anterior. Quer dizer que estava espalhando?! Que horror!

O Chifre Doce voltou correndo para casa. Foi direto até a cenoura e deu uma mordida. E mastigou, mastigou, até comer a cenoura inteirinha. E, como estava com muita fome, atacou o brócolis também. E terminou com umas ervilhas docinhas. De repente, achou que verdura era uma delícia! Aquela ervilha era quase tão doce quanto bala. Tá bom, não tão doce, mas era justamente isso que era bom. O Chifre Doce comeu com mais gosto do que na cidade. E naquela noite até dormiu melhor.

Logo cedinho, correu até a água para olhar o chifre. Estava de novo branquinho e brilhante, lindo. Nem sinal de marrom.

“Viu só? Eu tinha razão”, disse a doutora quando viu o Chifre Doce.

“Tinha mesmo. Estou tão feliz porque meu chifre está bom de novo. De agora em diante, só vou comer verdura”, prometeu o Chifre Doce.

“Muito bem. Mas, se de vez em quando você comer um docinho junto com a verdura, não tem problema nenhum. Só não pode exagerar.”

“Nada disso”, disse o Chifre Doce, balançando a cabeça. “Não quero nem ver doce na minha frente. Eu sou o protetor corajoso da manada, mas com o meu chifre eu tenho muito medo. E não quero mais me chamar Chifre Doce. Agora vou me chamar Cenouricórnio. Porque cenoura foi a primeira coisa que eu comi e, além disso, ela tem formato de chifre.”

E foi assim que o chifre do Chifre Doce – ou melhor, do Cenouricórnio – foi salvo. E vocês, crianças queridas, também não exagerem nos docinhos, viu? O chifre de vocês não vai cair, mas, com as verduras, vocês vão crescer fortes e saudáveis.

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