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Histórias para dormir - Como Bento parou de ter medo

Histórias para Dormir

Como Bento parou de ter medo

Numa casinha de madeira bem bonita, lá em cima, no quartinho perto do sótão, dormia um menininho. Ele tinha o cabelo castanho como as castanhas e os olhos azuis como o céu. Era um menino muito bonzinho, mas toda noite ficava com medo.

O nome dele era Bento, e ele tinha medo do escuro, dos barulhos que vinham do sótão e até do barulhinho do riacho que corria perto de casa. Por isso todo mundo chamava ele de Medroso. Ele tinha medo de tudo.

Toda noite, quando escurecia, o Bento deitava na cama e se cobria até a cabeça, para ficar escondidinho e não ouvir nada. Queria dormir o mais depressa possível. “Tomara que amanheça logo, tomara que amanheça logo”, sussurrava bem baixinho debaixo do cobertor. 

Uma noite, quando estava escondido como sempre, tentando dormir, aconteceu uma coisa que ele não esperava. Alguém bateu de leve no cobertor: “Bento, não se esconda. A gente quer te mostrar uma coisa”, disse uma vozinha bem suave. O Bento foi tirando o cobertor devagarinho e não acreditou no que viu. Uns homenzinhos voavam em cima da cama dele! Seguravam lanterninhas e iluminavam o quarto inteiro. A luz era tão forte que parecia dia. Batiam as asinhas coloridas e voavam em volta do Bento. “Quem são vocês?”, perguntou o menino. E os homenzinhos explicaram tudo: “Nós somos os duendes da noite. A gente ajuda as crianças a não ter medo. A nunca mais ter medo! E vamos te provar. Vem com a gente.”

Cada duende pegou numa pontinha do cobertor, e juntos eles levantaram e levaram o cobertor embora. Depois puxaram o Bento de leve pelo pijama e foram mostrando o caminho. Levaram o menino até a escada do sótão, abriram o alçapão e foram empurrando ele lá para cima. “Viu? Não precisa ter medo. Olhe bem em volta. Você vai ver que aqui não tem nada assustador. De vez em quando passa um gato correndo, mas fora isso, nada.” Mostraram o sótão inteiro e explicaram que o que ele sentia era só medo do escuro. E o escuro não faz nada com ninguém. Só parece assustador. Depois levaram o Bento até o riacho. Iluminaram tudo em volta e mostraram que era só a água borbulhando. “Não é nada para ter medo. É só barulhinho de água, mais nada”, disseram os duendes.

Depois levaram o Bento de volta para a cama, cobriram ele e disseram: “Vamos te mostrar uma coisa.” E apagaram todas as luzinhas. “Viu? É só escuro. Tá bom, parece assustador, mas não faz nada. Pode acreditar, você não precisa ter medo. Seja valente e forte. A gente confia em você. Já te mostramos que não tem nada para ter medo. E ainda por cima a gente vai estar sempre por perto. Se precisar, é só chamar! Antes de ir embora, vamos te dar um presente, para você ter coragem. Enquanto você acreditar na gente e na magia, ele vai brilhar para você.” Os duendes deram ao Bento uma lanterninha, para ele nunca esquecer deles. Depois se despediram, piscaram a luz uma última vez e foram embora voando. E o menino dormiu todo contente.

Quando o Bento acordou de manhã, ficou na dúvida se não tinha sido tudo um sonho. Sentou na cama e ficou só sorrindo, porque fazia tempo que não tinha um sonho tão bonito. Aí enfiou a mão no bolso do pijama e achou a lanterninha. O coração dele pulou de alegria: não tinha sido só um sonho! Dali em diante, o Bento não só parou de ter medo do escuro, como sabia muito bem que o escuro não faz nada. E também passou a acreditar na magia e nos duendes da noite, que ajudaram e ainda ajudam ele. E mesmo depois de grande, a lanterninha continuava acendendo para ele, porque ele acreditava. Todo mundo pode acreditar em magia. Quem sabe ela também ajuda a gente a achar coragem.

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