Como a pequena mosquinha não queria ser mosquinha

Era uma vez uma família de mosquinhas. Elas estavam sentadas almoçando em um pedacinho “cheiroso” de estrume, perto do curral das vacas, e se deliciando. Quer dizer, nem todas estavam gostando. A mosquinha pequenina fez cara feia e não queria comer estrume.

“Isso fede! Não entendo por que não podemos voar lá para o jardim, onde a comida cheira tão bem”, resmungava e zumbia a pequena mosquinha.

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Como a pequena mosquinha não queria ser mosquinha

“Porque as pessoas tomam conta daquela comida”, explicou o papai mosquinha. “Você quer ser esmagada por um mata-moscas?”

“Não, mas eu não quero comer esse estrume nojento e fedido”, continuou resmungando.

“Você é uma mosquinha, meu docinho”, tentou a mamãe. “As mosquinhas se alimentam dos restos e ajudam a decompor tudo, deixando o mundo mais bonito. E, claro, também fazemos festa no cocô. Você é uma mosquinha, então aceite isso.”

“E se eu não quiser ser uma mosquinha?”, zumbiu a pequena mosca, voando para longe.

Ela pousou na cerca do jardim. De lá, viu as abelhas voando de flor em flor, colhendo o pólen perfumado das flores do jardim.

“Eu queria ser uma abelha! Elas não precisam ficar passeando no cocô!”, zumbiu a mosquinha, olhando com inveja para as abelhas.

E então, um enorme zangão voou até ela.

“As moscas são úteis, fique feliz por ser uma mosquinha. Mas ,se ainda quiser mudar isso, vou te dar três mandamentos dos zangões. Eu sou um zangão mágico. Basta você dizer ‘no mandamento dos zangões’ e o desejo se realiza. Só lembre de pedir desejos sábios.”

O zangão voou embora, e a mosquinha ficou sozinha, sentada na cerca. Ela nem pensou duas vezes e já disse:

“No mandamento dos zangões, quero ser uma abelha!”

E puf! A mosquinha virou uma abelha. Ela se lançou nas florzinhas e ficou cheirando todas elas.

“Isso é muito melhor que estrume”, pensava a mosquinha, agora abelha, com suas anteninhas. Até que outra abelha voou até ela.

“Ei, o que você está aprontando aqui? Precisamos juntar o máximo de pólen e levar para a colmeia”, disse ela.

E assim, nossa mosquinha-abelha teve que passar o dia inteiro juntando pólen, levando para a colmeia e ajudando a fazer mel. Ficou tão exausta que nem podia se sentar um pouquinho. Ela queria descansar. Mas, quando finalmente se sentou num banquinho ao sol, alguém veio e sentou ao lado dela.

“Cuidado, sua danadinha!” gritou sua amiga abelha. “Cuidado para não te apertarem! Nós, abelhas, conseguimos até picar, mas só uma vez. Depois morremos.”

Isso deixou a mosquinha assustada, e ela voou rapidinho para pousar na cerca. As abelhas chamavam por ela para voltar ao trabalho, mas a mosquinha já estava tão cansada! Aquilo não era vida para ela. Ser abelha era muito difícil.

“Pelo mandamento dos zangões, quero virar uma vespa. Elas nem trabalham tanto assim”, disse a mosquinha.

E puf! No lugar da abelha, apareceu uma vespa sentada. Era maior, mais magrinha e rápida. Que maravilha! Quando encontrava outra vespa, se cumprimentavam:

“Olá, vespinha! O que acontece se um humano me apertar?” perguntou logo a mosquinha-vespa.

“Você o pica e sai voando. Nós, vespas, podemos dar quantas ferroadas quisermos.”

“Isso sim é que é legal!”

“Nem tanto. As pessoas têm medo da gente e tentam nos atrair com doces para dentro de garrafas, onde acabamos nos afogando”, avisou a amiga vespa. “E olha que somos úteis. Sem nós, outros insetos chatos se multiplicariam demais.”

“Também não quero comer insetos. E ser ainda mais incômoda para as pessoas do que quando eu era mosquinha, isso também não quero. Pelo mandamento dos zangões, quero ser mosquinha de novo.”

E puf! De simpática vespa, ela virou mosquinha outra vez. Ela voou para casa, onde sua família já a esperava.

“Nossa mosquinha querida, já estávamos preocupados com você”, disse a mamãe.

“Hoje convido todos vocês para almoçar no jardim, onde as vespas deram umas mordidas nas maçãs. Vai ser uma festança!”, disse o papai.

“Hoje não vai ter estrume no almoço? Uhuuuu!” comemorou a mosquinha e foi com a família para o pomar, atrás das maçãs.

E foi assim que a mosquinha ficou feliz por ser mosquinha de novo. Cada um tem o seu lugar na natureza, que pertence só a ele. Todo mundo é importante na natureza. Até uma mosquinha, tão pequena e quase invisível.

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