Quando o jovem chamado Joãozinho voltou da guerra, seu coração estava cansado, mas cheio de esperança de rever sua terra natal tal como a lembrava: repleta de risos, de cantos e do perfume das flores nos pomares.
Porém, ao atravessar os limites da aldeia, não encontrou nem o riso das crianças, nem o aroma do pão saindo do forno. As ruas estavam desertas, as janelas fechadas e o povo caminhava de cabeça baixa, com os olhos cheios de lágrimas. Joãozinho ficou intrigado, perguntando-se o que teria acontecido. O velho pastor lhe disse com pesar:

“Depois que você partiu, veio uma bruxa das Montanhas das Trevas. Nosso riso a enfureceu, então ela lançou uma maldição sobre nós. Desde então, ninguém aqui consegue cantar, rir ou sentir alegria.”
Joãozinho se entristeceu com isso, mas sentiu em seu coração que não poderia aceitar tal situação. Decidiu partir para o fundo da floresta, onde, segundo antigas lendas, vivia um sábio feiticeiro.
Vagou pela floresta por três dias e três noites, até que o vento o conduziu a uma caverna coberta de musgo. Ali encontrou o feiticeiro: um senhor de olhos profundos, como o céu antes da tempestade.
“Já sei por que você veio até aqui. Só existe uma maneira de quebrar esta maldição: a canção da felicidade. Mas não é uma canção comum. Você deve aprendê-la com o coração, não apenas com os ouvidos.”, explicou o feiticeiro.
Joãozinho permaneceu com o feiticeiro por sete dias e sete noites. Aprendeu a escutar o canto dos córregos, o sussurro das folhas e o riso escondido no vento. Cada nota carregava uma centelha da alegria que o mundo havia perdido. Quando finalmente entoou a canção da felicidade, a floresta estremeceu e as flores começaram a desabrochar.
Joãozinho voltou à aldeia e começou a cantar na praça. Sua voz era suave e pura. A princípio, nada aconteceu, mas então uma velha mulher sorriu. Uma menina que chorava começou a cantarolar junto com ele. A canção se espalhou como brisa de primavera. As pessoas lembraram-se da beleza da alegria e, lentamente, a tristeza desapareceu de seus rostos. A maldição estava quebrada.
Desde então, naquela terra, todas as manhãs entoam a canção da felicidade — não por obrigação, mas por vontade. E Joãozinho? Tornou-se um cantor do coração, alguém que sabia que até a maior tristeza pode ser vencida com uma única canção.