Perto de uma floresta escura, havia uma cabaninha muito charmosa. Nela moravam o vovô e a vovó de Anelise, uma garotinha de cabelos castanhos lisos e sorriso encantador. Todos os anos, nas férias, Anelise ia passar os dias com eles. Ela adorava ficar naquela cabana. Mas, em uma dessas férias, aconteceu algo que Anelise jamais esqueceria.
Era primavera. As férias tinham começado e Anelise já estava na cabana com os avós. Ela amava passear pela floresta e sentar perto de um riacho que corria entre as árvores. Lá, ficava observando os sapinhos pulando, os bichinhos se escondendo entre as pedras e os passarinhos cantando felizes. Mas, naquele dia, ela ouviu um som diferente. Era um barulho esquisito, vindo de uns arbustos perto da água. Curiosa, Anelise foi ver o que era.

Quando chegou mais perto, viu algo que a deixou surpresa: um filhote de lontra! A pequena lontra estava deitada, parecia fraca e com muita fome. Anelise olhou em volta, procurando os pais da lontra, mas não viu nenhum outro animal por perto. Sem pensar duas vezes, pegou a lontrinha com todo o cuidado, enrolou-a em sua blusa de moletom e correu para a cabana. “Vovô! Vovó! Me ajudem!”, ela gritava enquanto se aproximava.
Os avós saíram correndo quando ouviram o pedido de socorro da netinha. Quando viram o filhote nos braços de Anelise, agiram rápido. O vovô ligou para o centro de resgate de animais e em poucos minutos, um veterinário chegou. Ele cuidava de animais da floresta e levou a lontrinha para ser tratada. Anelise foi muito elogiada pelo veterinário, pois havia salvado a vida do filhote.
O tempo passou, a lontra ficou forte e cresceu saudável no centro de resgate. Anelise continuava indo à cabana nas férias, mas agora também fazia visitas especiais: ia ver sua amiga lontra.
Até que, quando chegou a hora de a lontra voltar à natureza, surgiu um problema inesperado: ela tinha medo de água! Muito estranho, porque as lontras adoram nadar, brincar e pescar seus peixinhos. Mas essa lontra tinha se acostumado a receber comida das pessoas e não queria nem molhar as patinhas.
Anelise, que era uma menina muito esperta e paciente, teve uma ideia. Combinou com os cuidadores do centro de resgate que, nas próximas férias, ajudaria a lontra a perder o medo de água. Se desse certo, a lontra poderia ser solta em uma reserva natural — um lugar parecido com a floresta, mas onde os animais ainda recebem proteção.
Assim que chegaram as férias seguintes, Anelise correu para visitar sua amiga. Ela ficou pensando em como ajudar… até que teve um plano: colocou um maiô marrom, parecido com a cor da lontra para não assustá-la, e entrou devagar no pequeno lago do centro de resgate. Lá dentro, começou a mostrar os peixinhos mais apetitosos.
A lontra, curiosa, sentia o cheirinho gostoso, esticava o corpo, mas não conseguia alcançar. Estava com tanta vontade de comer, que acabou dando um passinho dentro da água. Num piscar de olhos, ela pegou o peixinho e voltou correndo para a margem. Anelise comemorou e repetia isso todos os dias. Cada vez entrava um pouquinho mais no lago, e a lontra precisava ir um pouco mais fundo para alcançar os peixes.
Passaram-se várias semanas, mas com muita paciência, a lontra percebeu que a água não era assustadora. Na verdade, era muito divertida: dava para nadar, brincar e encontrar comidinhas deliciosas. Anelise ficou emocionada. Tinha salvado a lontra quando ela era apenas um filhotinho e agora a ajudara a ser livre, como uma verdadeira lontra.
Hoje, Anelise já é adulta. Mas ainda adora visitar o vovô e a vovó na cabana… e também a reserva natural, onde sua amiga vive feliz. Sempre que se encontram, Anelise sente o coração cheio de alegria, porque sabe que sua amizade transformou uma vida.