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A lagartixa do outono e as estações do ano – história para dormir

Histórias para Dormir

A lagartixa do outono e as estações do ano

Sofia P.31 de agosto de 20266 min de leiturapara a pré-escola

Na natureza, nada acontece sozinho. Tudo o que acontece tem alguma causa. E nós, as pessoas, não conhecemos muitas delas. E nem tudo é como parece à primeira vista.

A lagartixa mágica do outono tinha uma tarefa simples. Todo ano, quando chegava a hora certa, e isso era quase sempre no comecinho do outono, ela subia nas árvores e tocava em cada folhinha. A folha, então, dependendo da árvore, ficava vermelha ou amarela. Encolhia, diminuía e, depois de um tempo, secava de vez e caía. Graças à lagartixa mágica, em poucos dias o chão inteiro ficava coberto de tapetes coloridos, que faziam crec-crec.

Como você pode imaginar, a lagartixa tinha trabalho que não acabava mais. É só pensar quantas folhas há numa árvore, quantas árvores há numa floresta e quantas florestas, parques e bosques há no mundo. E a lagartixa mágica fazia tudo isso sozinha.

Pode parecer que era um trabalho só para o outono e que depois ela podia descansar o resto do tempo. Mas é só perguntar a alguém que entende um pouco de geografia, e você logo vai saber que em algum lugar do mundo é sempre outono. Se não é aqui, é em outro lugar. E assim sem parar! A lagartixa mágica tinha mesmo muito o que fazer. Não tinha nem um minutinho para ela.

Um dia, ela levantou da caminha e disse: Chega! Nada mais de ajudar o Outono! Ele que se vire sozinho!

E bateu a patinha no chão, brava. Só que quase ninguém ouviu, porque a patinha era tão pequenininha quanto a lagartixa inteira. Só quem ouviu foi uma minhoca, que estava passando debaixo da terra exatamente onde a lagartixa estava, só que uns centímetros mais fundo. Ela ouviu e levou um sustinho.

Então a lagartixa foi cuidar da vida, e naquele outono ninguém mais a encontrou.

As semanas seguintes foram muito estranhas. As folhas das árvores não mudaram de cor, não secaram e não caíram com o vento como todo ano: ficaram nos seus lugares. E continuavam verdinhas e viçosas. Quando chegou o inverno, as árvores não estavam preparadas, e na geada forte sentiram um frio terrível. Em todas as florestas se ouvia um barulhinho de folhas e de gravetos estalando. Eram as árvores tremendo de frio, de manhã até de noite, até que, cansadas, finalmente adormeceram.

Quando a lagartixa viu o que estava acontecendo, entendeu o erro enorme que tinha cometido. Morta de vergonha, se escondeu na fresta mais funda entre as pedras. O Outono, que naquele ano não tinha ido embora para longe como sempre, mas tinha ficado ali para consolar as árvores congeladas, acabou encontrando a lagartixa.

— Lagartixa do outono, o que foi que você fez? — perguntou ele, com tristeza nos olhos.

— Eu não queria! Eu só estava cansada demais. Não entendia por que eu fazia o que fazia, por que trabalhava sem parar, sempre a mesma coisa. Não quero mais ser a lagartixa do outono, mas também não consigo ver as árvores congelando e tremendo de frio!

— Então corra depressa e ajude todas as árvores que você conseguir.

Ninguém sabe como aconteceu, mas a lagartixa envergonhada correu tão depressa e derrubou as folhas dos galhos com tanta agilidade que, quando amanheceu, já estava tudo resolvido. Todas as árvores puderam, aliviadas, se deitar para o tão esperado sono de inverno e esperar a primavera.

Depois, a lagartixa parou na frente do Outono de cabecinha baixa, sem coragem nem de olhar nos olhos dele.

— Não fique com vergonha, lagartixa — disse por fim o Outono. — Não é de admirar que você estivesse cansada. Você trabalhou com coragem por muitos anos, sem um minutinho de descanso. E tudo o que deu errado, você consertou muito bem. Por isso, agora você pode descansar alguns meses. Fico um pouco triste, porque a gente não vai mais se encontrar. — A lagartixa olhou para ele com os olhinhos assustados. — De agora em diante, você vai ajudar a minha irmã, a Primavera. Você não é mais a lagartixa do outono, e sim a lagartixa da primavera.

Quando o inverno terminou, a lagartixa da primavera corria de árvore em árvore, subia em cada arbusto e até na menor florzinha. E em todo lugar onde pisava com as suas patinhas verdes, brotavam os botões das primeiras folhinhas da primavera.

Trabalho, é claro, ela continuava tendo de sobra, porque, como você pode imaginar, em algum lugar do mundo é sempre primavera, e sempre é preciso cuidar para que tudo fique como deve ser. Mas a lagartixa já não esquentava a cabeça com isso. Sabia que o seu trabalho sempre tinha sentido, mesmo que ela não entendesse direito qual era. E depois de um dia comprido, se aconchegava, contente, na sua frestinha e ficava ouvindo os passarinhos da primavera cantando nas copas das árvores, que iam ficando verdes.

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