
Histórias para Dormir
César e a aventura na leitura
A cidade inteira já estava dormindo. Só numa janela ainda piscava uma luzinha. Era um quartinho no sótão. Escondido debaixo do cobertor, estava um menino chamado César. Com uma lanterna, ele iluminava um livro e lia. Já tinha passado, e muito, da hora de dormir. Mas ele adorava livros e gostava tanto de ler que não conseguia largar.
Naquela hora, ele estava lendo uma aventura em que dois amigos salvavam um coala de uns caçadores malvados. Os dois estavam em perigo, e o coala também. Era emocionante demais! César devorava cada palavra.
Mas, quando virou a página, em vez da continuação da história apareceu uma coisa estranha: umas palavras mágicas, escritas com outras letras, como se fossem um feitiço.
César primeiro passou o dedo pelas letras e depois leu baixinho: “Não fique aí parado, vem voando feito passarinho, entra no livro com a gente e vive a história sozinho!” Na mesma hora, o cobertor levantou. O livro começou a brilhar e subiu da cama. Bem devagar, começou a rodar em volta dele, e foi rodando cada vez mais rápido, até virar um redemoinho. César já não conseguia enxergar nada.
Ele olhava em volta, sem entender o que estava acontecendo. De repente, tudo parou, e ele se viu no meio de uma floresta fechada. Tinha árvore para todo lado, e os passarinhos voavam em volta. Foi aí que César se deu conta: ele estava dentro do livro! Estava dentro da história que estava lendo. Só podia ter sido por causa daquele feitiço.
Ele ainda estava olhando em volta quando ouviu: “Rápido! Corre! Precisamos despistar eles, nos esconder e levar o coala para um lugar seguro!” Eram os dois amigos da história, que ainda há pouco ele só conhecia do livro. Iam com o coala no colo, correndo o mais rápido que podiam. Atrás deles vinham dois homens: os caçadores. César entendeu que estavam chamando ele e saiu correndo junto. Atravessaram a mata fechada, o capim e os galhos chicoteavam as pernas deles, mas ninguém diminuía o passo. Precisavam salvar o coala.
Logo César viu uma luz entre as árvores. Era um centro de resgate de animais ameaçados. Parecia só uma cabaninha simples, mas, naquele momento, era a única chance que eles tinham. “Ali! Vamos atrás da luz! Lá a gente se esconde!”, gritou César para os amigos.
Viraram depressa e correram até a casinha, que era feita de galhos de árvore. Quando foram chegando perto, começaram a gritar: “Socorro! Os caçadores estão atrás da gente, e estamos com um coala!”
Da cabana saiu um homem com jeito de mateiro, desses que conhecem a mata como a palma da mão. Ele escondeu os meninos depressa dentro da sua casinha simples. Depois saiu e chamou: “Alan, Igor, vão lá e tragam esses dois!” De trás da casa saíram correndo dois cachorros enormes, atrás dos caçadores. Pouco depois, já voltavam puxando os dois pelas barras das calças até o responsável pelo centro de resgate. Ele amarrou os caçadores e chamou a polícia, que ia dar um jeito neles. Depois, examinou o coala e, claro, os três meninos também, para ver se estava todo mundo bem. Tudo terminou bem. O coala não tinha se machucado e, assim que deu, o homem levou o coala de volta para a mata. E elogiou os meninos pela coragem.
Um pouco depois, o homem deu para o César um papel com um feitiço. “Se você ler isso em voz alta, volta para casa.” “E eu posso voltar aqui de novo algum dia?”, perguntou César. “Pode, sempre que quiser. É só ler o feitiço. Mas agora você precisa ir para casa. Cuide-se e não pare de ler. Os livros são histórias que sempre te dão alguma coisa. Sem eles, a vida seria muito triste.”
César prometeu que nunca ia parar de ler. Depois pegou o papel com o feitiço, leu, e no mesmo instante estava de volta na sua cama, com o livro na mão. Foi a melhor aventura da vida dele. Hoje o César já é adulto, mas continua apaixonado por livros. E, mesmo sem entrar mais nas páginas, ainda devora as histórias com o maior entusiasmo.
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