
Histórias para Dormir
A estrela cadente
Num campo enorme, cheio de flores, estavam deitadas duas crianças: a Clara e o Oliver. Clara era uma menina uma graça, de olhos verdes como os de um gato e cabelo clarinho. Oliver, o melhor amigo dela, tinha o cabelo todo bagunçado e uns olhos bem grandes. Os dois faziam tudo juntos. Já nem lembravam de algum dia terem ficado um sem o outro.
Oliver cuidava da Clara e estava sempre pronto para ajudar, e ela gostava muito dele. Os dois eram apaixonados pelas estrelas. Por isso, toda noite, quando escurecia e as primeiras luzinhas começavam a aparecer no céu, eles se deitavam juntos no campo para ficar olhando.
Uma noite, quando estavam lá deitados olhando o céu, viram uma estrela cadente. “Olha, Clara, uma estrela cadente! Faz um pedido! Com certeza vai se realizar”, disse Oliver, apontando para o céu. Clara sorriu, fechou os olhos e sussurrou alguma coisa bem baixinho. “O que você pediu? Vai me contar?”, perguntou Oliver. “Não posso, é segredo!”, respondeu Clara, com um sorrisinho maroto. Ela sabia que o seu desejo só se realizaria num conto de fadas, mas mesmo assim fez o pedido.
Eles ficaram mais um pouquinho deitados no campo, quando, de repente, caiu outra estrela. Mas dessa vez foi diferente. Ela vinha caindo cada vez mais perto deles, e o brilho ia ficando cada vez maior. As duas crianças se olharam e ficaram de pé num pulo. A estrela caiu bem do lado deles, e o campo todo se iluminou. De trás daquele brilho apareceu um homenzinho. Ele veio andando miudinho até as crianças e olhou para elas com uns olhos lindos e sorridentes, que pareciam dois espelhinhos. “E aí, vamos?”, perguntou.
“O quê? Vamos aonde? E em quê? E, afinal, quem é você?”, disparou Oliver. “Eu sou o homenzinho das estrelas. Voo pelo céu e cuido para que todas as estrelas apareçam, para que a lua brilhe bastante e para que tudo fique em ordem lá em cima. E também realizo desejos quando cai uma estrela e alguém faz um pedido. Hoje você fez um pedido, Clara. Então, aqui estou eu. Peguei uma estrela emprestada lá do céu, para levar vocês para passear. E então, prontos para um passeio pelo céu?”
As crianças se olharam sem acreditar, mas logo toparam. Um passeio pelo céu era bom demais para recusar. Subiram na estrela, e o homenzinho levantou voo com elas. Foram subindo cada vez mais alto, até que os três chegaram lá no céu.
Iam deslizando devagarinho pelo céu, e o homenzinho ia explicando: “Aqui é a Estrela Polar, ali é a constelação de Órion, estas estrelas formam a constelação de Leão e lá no fundo fica a Via Láctea, onde às vezes a gente escorrega com as estrelinhas.”
Naquela noite, Clara e Oliver passearam pelo universo quase inteiro. Os dois adoraram. Quando o homenzinho foi descendo com eles de volta para a Terra, as crianças agradeceram muito. Mas, antes de se despedir, Clara se inclinou e cochichou no ouvido dele: “Mas não foi um passeio pelo céu que eu pedi quando a estrela caiu.” “Eu sei”, respondeu o homenzinho das estrelas. “Você pediu para ficar sempre com o Oliver e para ele nunca deixar de gostar de você.” Clara ficou vermelhinha. “E como é que você sabe, homenzinho?”, perguntou. “Eu sei de tudo”, disse ele, sorrindo, e foi embora voando.
Depois, lá no céu, apareceu uma frase escrita com poeira de estrelas: “Não se preocupe, Clara, o seu desejo vai se realizar sozinho. Para isso você não precisa de mágica.” Clara ficou olhando para o céu, sorrindo toda sonhadora, enquanto a frase mágica ia sumindo devagarinho.
Aquela noite foi mágica do começo ao fim. Ela viu o universo, conheceu o homenzinho das estrelas e viveu tudo isso com o seu melhor amigo. E, além disso, passou a acreditar em magia. E decidiu fazer de tudo para que o seu desejo também se realizasse.
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