
Histórias para Dormir
O ursinho que acordou no meio do inverno
Era pleno inverno, e tinha neve por toda parte. Na toca dos ursos, dava para ouvir um ronco bem alto. Os ursos estavam hibernando. Mas o que é aquilo? Alguém piscou no escuro, bocejou e se espreguiçou. Era o ursinho acordando.
“Ei, acordem, pessoal! Quero ir brincar lá fora!”, gritou para os outros dorminhocos da toca.
Mas os ursos dormiam tão pesado que ninguém respondeu. O ursinho nem ligou. Ia arrumar outro amigo para brincar. Quem sabe o texugo ou o porco-espinho — com eles ele tinha brincado no outono, e tinha sido muito divertido.
Então o ursinho cavou uma saída e foi para a neve. A floresta estava completamente diferente de como ele lembrava no outono. Estava tudo branco. Os galhos das árvores, a grama e os tocos: tudo estava coberto por um manto branco e gelado. O vento frio arrepiava os pelos do ursinho, e ele tremeu várias vezes.
“O que você está fazendo aqui, ursinho?”, ouviu uma vozinha acima dele. Era o esquilo, que estava quebrando uma noz para o almoço.
“Vou brincar com o texugo”, disse o ursinho.
“Ele está dormindo”, respondeu o esquilo. “E você também deveria dormir. Afinal, ainda é inverno.”
“Por quê? Eu não estou cansado.”
“Porque é inverno e você não vai encontrar nada para comer”, explicou o esquilo.
“Mas eu não estou com fome. Quero brincar com alguém.”
Então o ursinho foi até a toca onde o texugo morava. Bateu no toco em cima da toca e chamou: “Amigo, acorda e vem brincar!”
Mas da toca só vinha um ronco bem alto: “Rrrr, rrrr, rrrr.”
“Ah, que pena, ele também está dormindo. Então vou brincar com o porco-espinho”, disse o ursinho.
Ele pulou sobre vários tocos e arbustos cobertos de neve até chegar a uma enorme pilha de folhas.
“Ei, porco-espinho, vem brincar!”, chamou o ursinho, olhando para o monte de folhas.
Mas do monte de folhas só vinha uma respiração forte e uns bufos. O porco-espinho estava num sono profundo de inverno.
“Ai, ai… E agora, com quem eu vou brincar?”, suspirou o ursinho.
Triste, ele ficou andando à toa pela floresta e começou a sentir fome. Onde ia achar alguma coisa para comer? Deu vontade de comer framboesas. Ele lembrou que elas cresciam na beira da floresta e correu para lá. Mas os pés de framboesa estavam sem folhas, secos e cobertos de neve. Nenhuma framboesa à vista.
Foi quando um coelho passou correndo.
“Ursinho, ursinho, que cabecinha de vento!”, disse o coelho. “Você tem que dormir, porque no inverno não dá para achar comida.”
“Então por que você não está dormindo também?”, perguntou o ursinho.
“É que eu guardo comida. Junto tanta coisa que no inverno posso ficar correndo por aí e tenho em casa tudo o que preciso. Mas você ia ter que juntar muita comida, e a toca de vocês não é tão grande assim. Por isso os ursos dormem no inverno. No outono eles comem bastante, e essa comida aquece eles o inverno inteiro. Mas não podem acordar, senão ficam com fome e não acham nada para comer”, explicou o coelho.
“Mas eu não consigo dormir com fome”, choramingou o ursinho.
“Eu divido um pouco da minha comida com você. Você come e depois volta a dormir direitinho.”
O coelhinho levou o ursinho para a casa dele, deu comida para ele e depois foi junto com ele até a toca dos ursos.
“Boa noite, seu trapalhãozinho. E vê se só acorda na primavera, hein?”, disse o coelho, e deu um beijo na testa do ursinho para ele dormir bem.
O ursinho entrou de novo na toca quentinha. Os outros ursos continuavam dormindo pesado e roncando alto. O ursinho bocejou, se enrolou feito uma bolinha e fechou os olhos. Nem viu a hora em que pegou no sono.
Quando ele acordou, os outros ursos também já estavam se levantando. Tinha chegado a primavera!
“Oba! Hora de levantar!”
Lá fora, com certeza, o texugo e o porco-espinho já estavam esperando por ele para brincarem juntos na floresta.
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