Era uma vez um menino chamado Joãozinho. Sua brincadeira preferida era o balanço. Sempre que ia ao parquinho com a mãe ou o pai, corria direto para pegar um balanço. Conseguia ficar ali por horas e horas. E a mãe e o pai sempre precisavam insistir muito para levá-lo para casa.
“Joãozinho, já está ficando frio. Venha, para não pegar friagem”, pedia a mãe.
“Só mais um pouquinho”, respondia Joãozinho, balançando cada vez mais alto.

“Joãozinho, esse seu minutinho já passou faz tempo. Além disso, já está escurecendo”, explicou o pai.
“Eu ainda não quero ir”, choramingou o menino.
A mãe prometeu preparar o mingau de que ele tanto gostava, mas não adiantou. O pai prometeu um carrinho novo se ele fosse para casa naquele instante. Aí sim, Joãozinho deu atenção. Com muita má vontade, parou de se balançar e deixou que o levassem embora.
E assim foi por muitos dias. As tentativas de convencê-lo, e os agrados prometidos, ficavam cada vez maiores, e os pais já não sabiam mais o que fazer para desgrudar o menino do balanço. Então decidiram que não iriam mais a lugares onde houvesse balanços.
E deu certo. Sem balanço, sem problemas.
O problema foi que eles se esqueceram de contar isso para a vovó, com quem Joãozinho passaria o fim de semana.
A vovó resolveu levá-lo a uma peça infantil no teatrinho. Depois, comeriam um docinho na confeitaria. E, se ainda sobrasse tempo, ela mostraria o novo parquinho que tinham construído fazia pouco tempo na cidade.
Joãozinho adorou tudo: o teatrinho, a coroa de flores que ganhou… mas sua maior alegria foi o parquinho novo. Ou melhor: os balanços. Nem o trepa-trepa nem o gira-gira chamaram sua atenção. Ele foi direto para os balanços.
No começo, tudo parecia tranquilo. Joãozinho se balançava e ria, enquanto a vovó o observava toda contente. Mas então chegou a hora de pegar o ônibus.
“Joãozinho, precisamos ir”, disse a vovó.
“Eu não vou a lugar nenhum. Quero ficar no balanço”, retrucou ele.
“Joãozinho, senão vamos perder o ônibus e teremos de ir a pé.”
“Não vou! Nunca mais vou descer deste balanço!”
A vovó tentou dar uma bronca, mas Joãozinho apenas mostrou a língua para ela. Furiosa, a vovó chamou os pais para ajudar. Mas nem eles conseguiram fazê-lo descer.
Escureceu. A noite chegou. Joãozinho continuava se balançando feliz da vida. Estava com um pouco de fome, as mãos já estavam geladas, mas ele não queria sair dali.
Os adultos começaram a pensar no que fazer. A mãe sugeriu esperar, acreditando que ele logo criaria juízo. O pai quis tirá-lo do balanço à força, mas a mãe e a vovó não deixaram. Então ele sugeriu cortar as correntes do balanço, mas também foi proibido.
“Estou com vontade de fazer xixi”, avisou Joãozinho, sem parar de se balançar.
Os pais se animaram. Finalmente ele iria descer!
“Assim que ele sair do balanço”, cochichou a vovó para o pai, “você senta no balanço para ele não conseguir voltar.”
“Venha fazer xixi. Depois você pode continuar”, disse a mãe com jeitinho.
Joãozinho achou aquilo suspeito. Balançou a cabeça e continuou se balançando.
O pai então perdeu a paciência. Reclamou, bateu o pé, bufou e ameaçou com todos os castigos imagináveis, até ficar cansado e ir embora. Mais tarde, a mãe e a vovó também voltaram para casa.
Na manhã seguinte, o papai retornou ao parquinho. Durante a noite fez um frio danado, e até caiu um pouco de neve.
Quando chegou perto do balanço, ele já não se mexia mais. Sentado ali havia um boneco de neve!
O pai correu até ele, tirou a neve e, para seu espanto, não era um boneco de neve coisa nenhuma. Era Joãozinho, coberto de neve da cabeça aos pés. Estava duro e gelado, com as mãozinhas grudadas pelo gelo nas correntes do balanço. E ainda tinha feito xixi na roupa.
“Eu não quero mais brincar no balanço”, disse Joãozinho, batendo os dentes. “Mas não consigo me soltar.”
“Se você tivesse obedecido e descido na hora certa, não estaria aí sentado feito um cubo de gelo”, respondeu o pai, começando imediatamente a aquecer o filho desobediente.
Assim que conseguiu soltá-lo, levou-o para casa para ficar bem quentinho. Joãozinho pegou apenas um resfriado.
Desde então, porém, não quis mais nem olhar para um balanço. E, quando alguém diz que está na hora de ir para casa, ele larga tudo imediatamente e vai correndo para a porta, para não ficar para trás.
E foi assim, queridas crianças, que tudo acabou bem para Joãozinho. Ele aprendeu a lição e mudou de comportamento. E vocês, quando não quiserem ir embora do balanço ou do escorregador, lembrem-se do que aconteceu com Joãozinho.
Boa noite!