Era uma vez uma menininha chamada Mona. Ela morava na beira da floresta, na única casinha que existia por muitos e muitos quilômetros. Por isso, ficava triste por não ter nenhum amiguinho por perto.
O menino que costumava ir à aldeia vizinha visitar a avó não queria brincar com ela. Da última vez, sem querer, Mona tinha feito aparecer nele um focinho de porco, então não era de se espantar que ele tivesse um pouquinho de medo dela.

É que Mona era uma bruxinha. Mesmo sem brincar com outras crianças, ela conseguia se divertir com os bichinhos do quintal e, de vez em quando, fazia alguma pequena magia.
Certa manhã, Mona foi à floresta catar cogumelos. Mas quase não havia cogumelos, então ela andou por muito tempo de um lado para o outro. A floresta parecia sempre igual. As árvores eram todas muito parecidas, e Mona acabou se perdendo.
Ela procurou o caminho de casa durante o dia inteiro, mas só conseguiu ir ainda mais fundo na floresta. Sua barriga já roncava de fome, ela estava exausta, e o sol se preparava para dormir. Mona ficou com medo, sem saber o que faria sozinha, no escuro, dentro daquela floresta enorme.
Foi então que avistou uma casinha e pensou:
“Com certeza alguém mora ali. Talvez essa pessoa possa me dizer por onde voltar para casa. Ou, melhor ainda, talvez me deixe passar a noite aqui.”
A menininha correu até a porta e bateu. Ninguém respondeu. Bateu mais forte, mas, de novo, não veio resposta nenhuma. Então tentou girar a maçaneta. Estava destrancada.
Mona espiou para dentro.
“Olá, tem alguém aí?”, chamou a menina, olhando para a entrada.
Mas ninguém respondeu. A casinha estava vazia.
Mona entrou. Na cozinha havia uma panela, uma colher de pau, leite, mingau e açúcar. Parecia que alguém tinha deixado tudo pronto para fazer o jantar quando voltasse.
Mona estava com fome, então preparou o mingau sozinha. Depois, serviu um pouquinho para si, pois já estava até zonza de tanta fome.
Mas quem morava ali continuava sem aparecer. Os olhos de Mona começaram a pesar, e ela quase dormiu sentada na cadeira. Então resolveu procurar um lugar mais confortável para descansar.
Subiu até o andar de cima e encontrou, em um quartinho, uma cama grande e macia. A menininha se aconchegou nela na mesma hora e caiu no sono.
Ela nem acordou quando a dona da casinha voltou. Era uma ursa, que estava justamente chegando da pesca.
Assim que entrou, sentiu o cheiro gostoso do mingau. A ursa franziu a testa e ficou pensando:
Será que eu preparei esse mingau antes de sair? Ou será que ele ficou pronto sozinho enquanto eu estava fora?
Mas, como estava com fome, o mingau veio muito bem a calhar, e não havia motivo para continuar tentando descobrir de onde ele tinha aparecido.
A ursa lambeu o pote inteiro até a última gota. Achou uma delícia.
Com a barriga cheia, começou a sentir sono. Por isso, foi até o quarto e ficou paralisada, como uma estátua.
“Alguém está dormindo na minha caminha! Uma menina tão linda… Com certeza foi ela que preparou o mingau para mim. Então deve ser boazinha”, falou baixinho a ursa.
Na mesma hora, pensou que precisava agradecer.
Ela já ia fazer cócegas na mão da menina para acordá-la quando, de repente, percebeu uma coisa. Se ela acordasse e visse uma ursa enorme, com certeza levaria um susto. Por isso, precisava fazer alguma coisa para não parecer tão assustadora.
A ursa começou a mexer em um baú. Tirou algumas roupas de lá e começou a vesti-las. Primeiro colocou uma saia, depois uma blusa, jogou um lenço sobre os ombros e, na cabeça, colocou uma touca de dormir. Também pôs os óculos no rosto e se olhou no espelho.
“Minha nossa! Agora estou parecendo uma velhinha. Assim, com certeza, não vou assustar aquela menininha”, falou para si mesma.
Com aquele disfarce, a ursa fez cócegas na mão de Mona. A menina abriu os olhos devagar. De repente, gritou, sentou-se num pulo e foi se afastando pela cama até chegar ao outro lado.
Coitadinha, levou um susto daqueles.
A ursa balançava os braços para mostrar que não queria fazer mal nenhum.
“Não me coma, por favor”, choramingou a menininha.
A ursa inclinou a cabeça para o lado e abriu os braços.
“Você só pode ser o lobo! Você se disfarçou de vovó e agora vai me devorar, igual à Chapeuzinho Vermelho”, choramingou a menina.
A ursa deu um tapa na própria testa. Depois, balançou a cabeça e começou a tirar o vestido devagarinho.
“Você é um urso?”, perguntou a menininha, espantada.
A ursa assentiu e piscou para ela.
“Uma ursa de verdade?”
A ursa assentiu de novo. Ela sorria de orelha a orelha, e a menininha foi ficando com um pouquinho menos de medo.
Logo depois, a ursa fez gestos com as patas indicando cozinhar e comer. Em seguida, estalou a língua, mostrando que tinha gostado.
“Você gostou do mingau? Desculpe, eu comi um pouquinho do seu. Eu estava com muita fome.”
A ursa apenas abanou a pata. Depois, apontou para Mona e fez com os dedos o gesto de passinhos.
“Ah, sim, ursa, eu vim até aqui. É que eu me perdi na floresta. E, no escuro, tenho medo de procurar o caminho.”
A ursa apontou para a cama, mostrando que a menininha podia se deitar novamente e dormir.
“Obrigada, ursinha. Você pode dormir aqui comigo. A cama é grande o bastante para nós duas”, sugeriu a menininha.
A ursa fez uma leve reverência em agradecimento.
“Eu sou Mona, uma bruxinha. Vamos ser amigas?”
A ursa balançou a cabeça alegremente.
Finalmente teria uma amiga para ajudá-la a cuidar da floresta, e a ursa não ficaria mais tão sozinha por ali.
E Mona? Ela pensava exatamente a mesma coisa. Com certeza, ela e a ursa viveriam muitas aventuras divertidas juntas.