Osmar e Estrelinha

Numa vasta campina ao pé de altas montanhas vivia um jovem pastor chamado Osmar. Todas as manhãs, ele levava seu rebanho de ovelhas para pastar, assobiava uma melodia baixinha e se apoiava num cajado de madeira que seu avô havia entalhado para ele. 

A campina era maravilhosa: na primavera, ficava coberta de flores; no verão, tinha perfume de feno; e, no outono, brilhava com o orvalho como um tapete de prata. Mas, embora o mundo ao seu redor fosse bonito, Osmar muitas vezes se sentia sozinho.

Rozprávka na čítanie - Osmar e Estrelinha
Osmar e Estrelinha

Seus pais haviam partido para trabalhar numa cidade distante, e ele ficou no abrigo dos pastores apenas com o rebanho. Gostava das ovelhas e conhecia cada uma pelo nome: Branquinha, Cacheadinha, Pintadinha e também a menorzinha, Estrelinha, que tinha uma mancha em forma de lua na testa. 

Ele conversava com elas, cantava para elas e, às vezes, lia um livro de contos de fadas antigos. As ovelhinhas lhe respondiam apenas com um suave “bééé”. E assim, à noite, quando o céu se cobriu com um manto azul-escuro e as estrelas se espalharam sobre as montanhas, Osmar sentou-se diante do abrigo e ergueu os olhos para o alto. 

“Estrelinhas, se vocês me escutam, mandem uma amiga para mim. Alguém com quem eu possa conversar e que me responda”, sussurrou.

O vento farfalhou de leve na relva, enquanto o rebanho descansava tranquilamente. Parecia que nada ia acontecer. Osmar suspirou, deitou-se sobre o feno e fechou os olhos.

De repente, ouviu um som estranho: “Osmar…?”

O pastor se levantou assustado: “Quem está aí?”, sussurrou.

“Estou aqui”, respondeu uma voz tímida.

Diante dele estava Estrelinha, a pequena ovelha. Seus olhos escuros brilhavam à luz do luar, e a manchinha em sua testa reluzia como se estivesse um pouco mais brilhante do que de costume. 

Osmar piscou, surpreso: “Você falou?”

“Parece que sim”, respondeu a ovelhinha, sacudindo a cabeça até seu sininho tilintar baixinho. “Acho que as estrelas ouviram você”.

O jovem esfregou os olhos, para ver se não estava sonhando. “Isso não é possível”, disse Osmar, confuso.

“Muita coisa é possível”, disse Estrelinha, com sabedoria. “Por exemplo, a solidão pode ir embora quando temos coragem de fazer um pedido com o coração”.

Osmar primeiro riu; depois, seus olhos se encheram de lágrimas de alegria. “Então você vai conversar comigo?”, perguntou ele, todo animado.

“Só se você me ensinar a brincar de esconde-esconde”, respondeu a ovelhinha, séria. “Sempre quis saber para onde você some quando acha que eu não estou vendo”. 

A partir daquela noite, tudo mudou. Na manhã seguinte, Osmar já não andava sozinho pelo prado. Estrelinha caminhava ao lado dele e lhe contava o que pensava do tempo, das outras ovelhas e também que a grama era mais gostosa no lado norte da colina. Em troca, Osmar lhe contava sobre as cidades de que se lembrava, sobre os livros que tinha lido e sobre os seus sonhos.

“Sabe, as ovelhas vivem conversando entre si. Só que as pessoas geralmente não conseguem ouvir”, contou Estrelinha certa vez. 

“Por que eu ouço?”, perguntou Osmar.

A ovelhinha sorriu: “Porque você pediu e escutou com o coração”.

Juntos, inventavam brincadeiras. Osmar ensinava Estrelinha a pular pequenos riachos, e ela lhe ensinava a ter paciência. Quando ele se apressava e ficava bravo porque alguma coisa não dava certo, ela dizia: “Olhe para as nuvens. Elas não se apressam para chegar a lugar nenhum e, mesmo assim, sempre chegam onde devem”.

À noite, os dois se deitavam na grama e observavam as estrelas.

“Você acha que foram justamente as mais brilhantes que me ouviram?”, perguntou Osmar certa vez.

“Talvez. Mas talvez tenha bastado que você desejasse isso com o coração sincero”, refletiu Estrelinha.

Os dias passaram, e Osmar percebeu que já não se sentia sozinho. Ele tinha uma amiga que o entendia, ria de suas piadas e, às vezes, até mordiscava de leve a manga da sua roupa quando ele ficava quieto demais.

Certa manhã, ele acordou e olhou ao redor, assustado. “Estrelinha?”, chamou.

A ovelhinha estava junto à cerca, pastando tranquilamente. “Bééé”, respondeu com um som comum de ovelha.

Por um instante, o coração de Osmar se apertou. Ele tentou sorrir. “Bom dia”, disse baixinho. Estrelinha se aproximou dele, roçou-se de leve nele e olhou em seus olhos com o mesmo olhar carinhoso de sempre. 

Embora já não falasse a língua dos humanos, Osmar sabia que não havia perdido aquela amizade. Naquela noite, ele voltou a se sentar sob as estrelas e as agradeceu.

Desde então, ele não se sentia mais sozinho. Aprendeu que a amizade nem sempre precisa ser dita em palavras. Às vezes, basta uma presença silenciosa, um olhar acolhedor e um coração tão aberto que consegue ouvir até aquilo que os outros não ouvem.

E, quando a estrela mais brilhante se acendia no céu, Osmar sempre sorria. Pois sabia que, em algum lugar lá no alto, alguém se alegrava porque seu desejo havia sido ouvido.

4.8/5 - (72 votos)

Navigácia príspevkov

2 Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Topo