Em algum lugar, em um campo além da densa floresta, nasceu uma pequena abelhinha chamada Milena. Milena era muito esperta e adorava conhecer o mundo e os animaizinhos da floresta junto com seu enxame.
Certo dia, enquanto as abelhinhas voavam pelo prado, avistaram lindos animaizinhos com asas coloridas.

“Que criaturas são aquelas?”, perguntou Milena às amigas.
“São borboletas”, respondeu uma das abelhas.
Milena ficou pensativa. Ela também gostaria de ter asas tão bonitas quanto as das borboletas. A partir daquele dia, passou a pensar em como poderia se tornar uma delas. Em comparação às borboletas, achava que ser uma abelhinha não tinha nada de especial.
Certa tarde, saiu escondida da colmeia para passear pela floresta e talvez encontrar alguma borboleta. Mas acabou descobrindo algo que chamou ainda mais sua atenção.
Milena ficou encantada ao ver um líquido roxo brilhante escorrendo de uma árvore. Então teve uma ideia: ficaria embaixo da árvore para tingir suas asas. Ah, como ficaria linda com asinhas roxas!
Sem pensar muito, deixou o líquido colorir completamente suas pequenas asas. Mas, quando tentou voar, aconteceu algo terrível. Suas asas ficaram pesadas demais. Milena tentou levantar voo, mas caiu de volta no galho.
“Como é que vou voltar para casa, para junto das minhas abelhinhas?”, lamentou a pequena abelha.
Então uma borboleta que passava por ali viu Milena chorando e aproximou-se dela.
“Olá, abelhinha. Por que você está tão triste?”, perguntou a borboleta gentilmente.
Milena olhou para as lindas asas da borboleta e suspirou. “Eu queria que minhas asas fossem tão bonitas quanto as suas. Mas agora não consigo mais voar. Sou apenas uma abelha boba e inútil”, disse ela, muito triste.
A borboleta sorriu com delicadeza. “Por que você acha isso? As abelhas são criaturas muito especiais. Elas ajudam as flores a crescer. Sem vocês, muitos campos ficariam sem flores e sem frutos. E o mel que vocês produzem é delicioso e ajuda muita gente”.
Milena ouviu tudo com atenção e começou a se sentir um pouco melhor. “Mesmo assim, ainda não sei como vou voltar para casa”, murmurou a abelhinha.
A borboleta então teve uma ideia: “Suba nas minhas costas. Eu vou levá-la até sua colmeia. Depois, quando a chuva cair, suas asinhas ficarão limpas novamente”.
Milena agradeceu, toda contente. Com cuidado, a borboleta levou Milena de volta para casa. Antes de se despedirem, prometeram que seriam grandes amigas.
E, desde aquele dia, Milena aprendeu que não precisava ser uma borboleta para ser especial. Ela descobriu que cada criatura tem sua própria beleza e importância no mundo.