Na floresta profunda, onde a neve estalava sob os pés como algodão macio, crescia um pequeno pinheirinho. Ele não era o maior nem o mais bonito, mas tinha agulhas macias e um cheirinho suave que se espalhava entre as árvores.
Todo ano, quando o Natal se aproximava, ele ficava observando as pessoas da vila próxima levando para casa suas arvorezinhas — altas, bonitas e bem retinhas. As crianças ficavam felizes, os enfeites brilhavam, tudo parecia tão mágico que os olhinhos do pinheirinho sempre brilhavam.

“Ah”, suspirou ele certa vez, “como seria maravilhoso me tornar um pinheirinho de Natal. Enfeitado com uma estrela, fitas brilhantes e trazendo alegria para as pessoas.”
Mas os velhos pinheiros apenas davam risada, e o grande carvalho dizia com bondade:
“Não se preocupe, pequeno. Cada um tem o seu lugar. Além disso, na maioria das vezes as pessoas escolhem as arvorezinhas mais retinhas e mais altas.”
O pinheirinho abaixou seus galhinhos. Ele não era retinho — seu tronco se curvava de leve para a direita, como se sempre quisesse olhar a vila que ficava lá embaixo do morro.
Quando chegou mais um inverno, o vento trouxe cheiro de canela e de bolos doces. O pinheirinho sentiu que era novamente a época em que os lenhadores chegavam à floresta. E realmente, numa manhã, ouviu passos, sussurros de gente e o rangido da neve.
“Essa não… e essa também não”, diziam as vozes.
O pinheirinho se encolheu, cheio de uma pequena esperança de finalmente ser notado. Mas os homens foram embora, e ele ficou sozinho, cercado pelo silêncio da floresta nevada.
A noite passou. O pinheirinho ficou muito triste. A neve caía sobre seus galhinhos, e parecia até que as estrelas lá em cima tinham se apagado.
Mas, na manhã seguinte, apareceram outras pessoas na floresta — dois homens e uma mulher com um caderno enorme. Eles conversavam sobre a pracinha da vila, dizendo que precisavam de uma arvorezinha que fosse “bonitinha, macia e acolhedora, não muito grande, para que as crianças pudessem chegar pertinho”.
Eles foram de árvore em árvore, até que a mulher parou em frente ao pinheirinho.
“Olhem só para esta aqui”, disse ela, sorrindo.
“Um pouquinho torta”, resmungou um dos homens.
“Mas é linda!”, respondeu a mulher. “Tem exatamente o formato que precisamos. É delicada e carinhosa. Essa árvore vai trazer alegria para as pessoas.”
O pequeno coraçãozinho de madeira do pinheirinho começou a bater bem forte.
“Estão olhando para mim! Sou eu que escolheram!”, pensou ele.
E, mesmo com um pouco de medo, sentiu uma felicidade enorme. Logo, ele já estava numa grande carroça, descendo até a vila. A neve brilhava debaixo de seus galhos, e as pessoas se viravam para olhar quando ele passava.
O que o esperava na pracinha era ainda mais bonito. Perto do velho poço de pedra, as lanternas brilhavam, e o cheirinho de ponche e de biscoitos de mel fresquinhos tomava o ar. Quando o colocaram bem no meio da praça, os moradores se reuniram em volta.
“Como ele está lindo!”, exclamou uma senhora.
“Olha, mamãe, o pinheirinho está sorrindo!”, gritou uma menininha, fazendo um carinho em um dos galhinhos da árvore.
E então começou a decoração. As crianças penduraram correntes de papel coloridas, as mulheres amarraram laços, e os homens espalharam luzinhas que brilhavam como pequenas estrelinhas. O pinheirinho sentiu seus galhinhos tremerem de alegria. A praça brilhava, e ele estava bem no centro, como um símbolo vivo do Natal.
Na noite de Natal, todos da vila se reuniram ao redor dele. Cantavam cantigas, se abraçavam, riam — e o pinheirinho observava todos aqueles rostos felizes. Foi então que percebeu que seu antigo sonho tinha se realizado. Ele havia levado alegria às pessoas, exatamente como sempre desejou.
Quando, por fim, a grande estrela dourada brilhou no topo, o pinheirinho se sentiu o mais feliz do mundo. Nunca mais ficou triste, pois descobriu que seu tronco tortinho e sua beleza simples eram exatamente o que as pessoas precisavam.
E assim, todo ano no Natal, todos se lembravam da pequena árvore da floresta que conseguiu iluminar toda a praça e o coração de todos da aldeia.