Depois de sete montanhas e sete vales, havia uma pequena floresta, e nessa floresta morava o jovem cervo chamado Miguel. Diferente dos outros bichinhos, diziam que Miguel tinha vindo de outro lugar e nunca conheceu seus pais. Mesmo assim, ele era um cervinho feliz, pois na floresta fez muitos amigos queridos.
Mas naquele dia tudo era diferente — era a noite de Natal. Todos os bichinhos estavam com suas famílias, e Miguel andava sozinho pelo bosque coberto de neve.

Ele estava apenas passeando e olhando para o céu quando, de repente, um grande trenó parou à sua frente. Nele estava sentado um homem grande, de barba branca e roupa vermelha. O trenó era puxado por três renas curiosas, com sininhos no pescoço. Miguel ficou surpreso, sem saber o que estava acontecendo, quando o bom velhinho falou com ele:
“Miguel, que bom te ver. Eu sou o Papai Noel e estou levando presentes para as crianças, para os bichinhos e para todos no mundo. Mas uma das minhas renas foi embora para sempre, e eu preciso de ajuda. Assim, não vou conseguir entregar todos os presentes a tempo.”
Miguel ficou ainda mais confuso.
“Como eu posso te ajudar? E o que são essas renas? Eu sou só um cervo”, respondeu ele.
Papai Noel deu uma risada calorosa.
“Papai Noel pode mudar muitas coisas. As renas são como você, mas têm um dom especial: sabem voar. E então, você vai me ajudar a salvar a noite?”
Miguel pensou um pouco. De qualquer jeito, ele estaria sozinho naquela noite, então decidiu ajudar os outros. Balançou a cabeça, concordando. Papai Noel bateu palmas, e Miguel se transformou em uma linda rena.
Miguel olhou para si mesmo e não acreditou no que via. Seus chifres ficaram suavemente arredondados, sua pelagem ficou mais espessa, e um sininho brilhante apareceu em seu pescoço, tilintando a cada movimento como pequenas estrelas. Mas, quando tentou dar o primeiro passo em direção ao trenó, suas pernas se enrolaram, e ele caiu de cabeça na neve fofinha.
As outras renas riram, não por deboche, mas de um jeito amigo.
“Não se preocupe, Miguel”, disse uma delas. “Todos nós começamos assim.”
Papai Noel assentiu.
“Voar é uma arte que exige paciência. E, principalmente, coração.”
Miguel se levantou, sacudiu a neve do nariz e decidiu não desistir. Primeiro, tentou apenas um pulinho. Depois, um maior. Depois mais um. Mas, sempre que achava que ia voar, acabava caindo de novo na neve.
Às vezes, tinha vontade de desistir, mas, quando lembrava que crianças e bichinhos esperavam seus presentes, dizia para si mesmo que precisava continuar.
“Tente de olhos fechados”, sugeriu a rena ao lado dele. “Imagine que sua alma é mais leve do que um floco de neve.”
Miguel fechou os olhos, respirou fundo, e o sininho em seu pescoço tilintou suavemente. De repente, sentiu a barriga subir, depois as pernas e, quando abriu os olhos, estava no ar! Estava só a alguns metros do chão, mas ele estava voando.
Papai Noel aplaudiu animado.
“Muito bem, Miguel! Agora é só subir e partir!”
E assim Miguel se juntou aos outros. No começo, voava meio desajeitado, às vezes perdia o rumo, outras vezes seguia tortinho, e as renas precisavam desviar de seus chifres. Mas, aos poucos, foi melhorando e até começou a se divertir. O vento fazia cócegas em seu pelo, as estrelas brilhavam tão perto que ele quase podia tocá-las. E, lá embaixo, milhares de luzinhas, janelas, casinhas e, dentro delas, muitos coraçõezinhos animados esperando por uma surpresa.
Quando o último presente desceu pela chaminé da última casinha, a primeira luz da manhã acariciou o céu.
Miguel, cansado, mas feliz, voltou à neve. Papai Noel desceu do trenó e fez um carinho em sua cabeça.
“Miguel”, disse suavemente, “sem você nós não teríamos conseguido hoje. Você é uma rena corajosa e bondosa. Por isso, tem direito a um desejo. Qualquer um.”
Miguel ficou pensativo. Olhou para seus cascos, para o sininho, para si mesmo. Lembrou-se de como se sentiu voando nas nuvens, de como o aqueceu a alegria das crianças para quem levou o Natal. Então sorriu.
“Eu gostaria de ser uma rena para sempre”, disse com firmeza.
Papai Noel abriu um sorriso enorme.
“Então, que assim seja.”
Naquele instante, Miguel sentiu seu corpo brilhar suavemente, como se fosse abraçado pela própria magia do Natal.
Daquele dia em diante, Miguel não era mais apenas um cervinho da floresta. Tornou-se uma das renas do Papai Noel. Todo ano, voava feliz pelo mundo, levando sorrisos às crianças. E nunca mais ficou sozinho.