Era uma vez, há muito, muito tempo, um pequeno país localizado além das altas montanhas e dos vales. Nesse lugar, as pessoas se preparavam com alegria para a chegada das festas de Natal.
Todos viviam essa época de coração aberto. Reuniam-se na praça, enfeitavam tudo com adornos coloridos e luzinhas, cantavam cantigas de Natal, preparavam ponche e traziam juntos da floresta a arvorezinha mais bonita para decorar.

Naquele ano, estavam comemorando do mesmo jeito, até que, ao acordarem numa manhã, perceberam que tudo o que haviam preparado tinha simplesmente desaparecido.
Um jovem corajoso chamado Joãozinho decidiu que precisava descobrir quem tinha causado aquilo e como trazer o Natal de volta para o povo. Vestiu um casaco bem quentinho, pegou um pão inteiro, um pouco de água e saiu em viagem.
As pessoas ficaram sabendo do que Joãozinho pretendia fazer por elas, e quase todo mundo foi se despedir, cheios de esperança de que ele traria as festas de volta.
Joãozinho andou e andou pela floresta coberta de neve, depois subiu uma montanha bem alta. Caminhou assim por três dias seguidos, até chegar a um vale escondido.
Foi ali que ouviu um chorinho bem baixinho, mas não sabia de onde vinha. Alguém devia estar por perto. Procurou atrás de cada moita e debaixo de cada árvore, até que, sobre um toco velho e torto, encontrou uma fada sentada. Dos olhos dela, azuis como o céu, caíam lágrimas grandes, e Joãozinho falou com cuidado:
“Olá, fada, por que você está chorando assim?”
“Eu cometi um erro e estraguei tudo”, respondeu a fada, chorando ainda mais.
“Que erro? Você tem algo a ver com o que aconteceu lá na minha terra? Foi você quem tirou o Natal da gente?”, perguntou Joãozinho.
A fada confirmou com a cabeça.
“Eu queria iluminar a decoração de vocês e criar presentes mágicos, mas peguei a varinha errada. Quando voltei para buscar a certa, ela já estava quebrada”, explicou a fada.
“Talvez a gente consiga consertar a varinha com a seiva de uma árvore. Depois, vamos até a minha terra e arrumamos tudo”, sugeriu Joãozinho. A fada foi, aos poucos, parando de chorar.
“Isso pode funcionar. Acho que você tem razão. Obrigada pela ajuda”, disse a fada, já mais animada. Então, os dois seguiram juntos até a casinha dela.
Joãozinho pegou um potinho e, na floresta ali perto, encontrou uma árvore de onde escorria seiva. Colheu um pouco, levou até a fada e, juntos, conseguiram consertar a varinha quebrada.
“Pronto, agora podemos seguir viagem para arrumar as coisas lá na minha terra”, disse Joãozinho.
Mas a fada o interrompeu:
“Segure na minha mão.”
Joãozinho obedeceu e, de repente, eles estavam ali, à noite, sozinhos na pracinha vazia. A fada balançou a varinha, e tudo começou a voltar devagarinho ao normal. A arvorezinha reapareceu, as luzinhas coloridas voltaram a brilhar e muitos presentes surgiram embaixo dela.
“Obrigada pela ajuda, Joãozinho. Se um dia você precisar de alguma coisa, vou adorar retribuir”, disse a fada e, em seguida, desapareceu.
Na manhã seguinte, as pessoas ficaram felizes outra vez, cantaram, comemoraram e viveram o Natal mais bonito de todos. Joãozinho contou a todos sobre a fada que salvou o Natal, mas não contou que tinha sido ela mesma quem, sem querer, o havia levado embora.