Pegadas na neve

Há muito tempo o céu já estava se preparando para a chegada da neve. As nuvens guardavam os floquinhos lá dentro, esperando o momento certo. De vez em quando, espiavam para fora, pensavam em cair, mas desistiam no último instante.

Porém, quando o mês de dezembro apareceu no calendário, os floquinhos receberam permissão, e até recomendação, para cair. Então começaram a despencar. Caíam, caíam e se acumulavam uns sobre os outros, até que uma grande capa branca cobriu toda a terra. Com a primeira neve, também surgiram as primeiras pegadas. Todo mundo que caminhava deixava seu desenho marcado no tapete branquinho de neve.

Contos para crianças - Pegadas na neve
Pegadas na neve

Na floresta, quem observava essas pegadas era o guarda florestal. Ele caminhava bem devagar pela paisagem de neve e seguia cada rastro com atenção. Pela pegada, ele sabia se algum animal estava machucado, se mancava ou se parecia faltar alguma coisa. Também sabia exatamente que bicho tinha passado por ali. Ele era um homem bondoso, que gostava muito dos animais e cuidava da floresta com todo carinho. Mas um dia, algo deixou o guarda totalmente surpreso.

Era uma tarde bem bonita, com o sol brilhando no meio da neve. Tudo estava calmo, até que o guarda encontrou uma pegada diferente. Ele se abaixou rapidinho para ver melhor. “Eu conheço essa pegada. É de uma raposinha pequena! Mas espere… isso é sangue. Ela está machucada! E está tão frio, preciso encontrá-la logo”. Ele seguiu o rastro pela floresta. Mas, de repente, as pegadas sumiram. Puf! Não tinha mais nada no chão. Um pouco mais adiante, porém, apareceu outra pegada, só que muito maior. Bem maior mesmo! O guarda se ajoelhou e observou.

“Não pode ser… isso é pegada de lobisomem! As pegadas da raposinha acabam bem aqui!”, disse assustado. Ele correu seguindo a pegada gigante até chegar a uma caverna escura. Quando deu um passo para dentro, ouviu um rosnado forte. Do canto escuro, dois olhos brilhantes e dentes enormes apareceram. Era o lobisomem, e ele não parecia feliz.

Mesmo assim, o guarda não ficou com medo. Ele gostava dos animais e sabia o que fazer. Abaixou-se um pouco, não olhou direto nos olhos do lobisomem e falou com calma: “Não quero te machucar. Só estou procurando uma raposinha ferida. Eu segui as pegadas dela, mas elas desapareceram e apareceram as suas. Por favor, se ela está aqui, deixe-me ver. Ela precisa de ajuda para sobreviver”.

O guarda levantou as mãos para mostrar que não tinha arma nenhuma. O lobisomem parou de rosnar, deu um passo para o lado e deixou o guarda entrar. Lá dentro realmente estava a pequena raposa! O guarda cuidou do machucado dela e a enrolou em seu casaco quentinho. Pegou-a no colo e começou a sair da caverna. Ao passar pelo lobisomem, disse: “Obrigado”.

De repente, o guarda ouviu uma voz grossa atrás de si: “Eu carreguei a raposinha. Por isso as pegadas dela sumiram e apareceram as minhas. Ela não conseguia mais andar. Eu a ajudei”. O guarda levou um susto tão grande que quase derrubou a raposinha. “Você… fala?”, perguntou, espantado. O lobisomem só balançou a cabeça devagar e voltou para o fundo da caverna.

O guarda levou a raposinha para casa e cuidou dela durante todo o inverno. Quando ela ficou boa de novo, os dois voltaram para visitar o lobisomem. Ele nunca mais falou, mas o guarda sabia que ele era um animal bondoso e sábio. E essa não era a primeira e nem seria a última vez que um animal que parecia assustador ajudava alguém.

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