Bruno, a águia

Bem acima dos vales verdejantes e do céu azul, voava majestosa uma águia chamada Bruno. Ele cruzava o céu imenso em busca de algo para comer. Na verdade, já estava com muita fome, e estava justamente na hora do jantar!

Enquanto Bruno sobrevoava os campos cobertos de grama reluzente e flores coloridas, seus olhos atentos captaram um movimento. Ele desceu um pouco mais e viu três ratinhos fugindo de uma cobra que se arrastava pelo chão. 

Histórias para crianças - Bruno, a águia
Bruno, a águia

A cobra era enorme, e suas escamas verde-escuras brilhavam sob o sol. A pequena família de ratinhos tentava escapar entre o capim, mas a cobra deslizava cada vez mais rápido.

“Hum… três ratinhos e uma cobra? Isso sim é um jantar perfeito!”, pensou Bruno, observando a perseguição.

Mas, enquanto voava baixinho sobre o campo e acompanhava a cena, algo mexeu com seu coração. Ele viu a mamãe ratinha tentando, com coragem, proteger seus dois filhotes e fugir da cobra faminta.

“Eles são uma família… Eu também já tive uma família”, pensou a águia. Lágrimas encheram seus olhos. Fazia muito tempo que não sentia algo assim. Ele percebeu como aquela família lutava bravamente para sobreviver. Viu quando um dos ratinhos escorregou, e a mãe voltou correndo para ajudá-lo antes que a cobra o alcançasse.

De repente, Bruno esqueceu da fome e decidiu fazer algo que jamais imaginou: ajudá-los.

Com um poderoso bater de asas, a águia voou em direção à cobra: não para devorá-la, mas para assustá-la de verdade. A cobra, surpresa com o pássaro destemido, desapareceu rapidamente entre os arbustos.

Bruno pousou diante da pequena família. Os ratinhos ficaram paralisados, como se fossem estátuas de gelo. A mamãe se colocou à frente dos filhotes, tremendo de medo.

“Não tenham medo. Não vou comer vocês”, disse a águia com voz firme, mas gentil. “Vocês são uma família que se ajuda, e eu admiro isso. Por isso, vou poupá-los. Vocês me lembram da família que um dia tive.”

Os ratinhos piscaram, surpresos, e olharam nos olhos dourados da grande águia, onde pequenas lágrimas brilhavam.

“Obrigada por salvar a mim e a minha família”, respondeu a mamãe ratinha, ainda com a voz trêmula.

O sempre orgulhoso e faminto Bruno, dessa vez, olhou para eles com carinho e um leve sorriso.

“Ajudem-se uns aos outros, aconteça o que acontecer. Vocês são uma família”, disse ele, antes de alçar voo de volta ao céu.

“Vamos sim! E obrigada!”, gritaram os ratinhos todos juntos.

A partir daquele dia, algo mudou no coração de Bruno. Sempre que via alguma família precisando de ajuda, mesmo que pudesse ser seu jantar, ele escolhia ajudá-los. E, desde então, os ratinhos olhavam para o céu com esperança, na expectativa de ver seu salvador: a águia de quem ninguém jamais esperaria tal gesto.

Mas acreditem, queridas crianças, até mesmo as aves mais ferozes podem carregar dentro de si não só força e fome, mas também um pouco de bondade e compreensão.

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