O duende e sua visita ao médico

Nas profundezas da floresta, entre samambaias e arbustos altos, vivia um duende bem diferente. Ele era pequenino, verdinho e usava roupas rasgadas, como se fossem trapos. Na cabeça, tinha um chapéu feito de folhas e galhos secos. Andava descalço e, à primeira vista, parecia uma assombração.

Esse duende adorava assustar quem passava por perto. E sabe como ele fazia isso? Com a sua voz! Ele dava um grito tão forte que parecia que o chão tremia e que as árvores iam cair. Quem ouvia, saía correndo de medo.

Histórias curtas para dormir - O duende e sua visita ao médico
O duende e sua visita ao médico

O duende achava isso muito divertido. Ficava todo orgulhoso quando alguém fugia assustado. Mas, de tanto gritar, um dia ele ficou rouco e isso o deixou muito triste.

Ele caminhava sozinho pela floresta, de cabeça baixa, reclamando: “E agora? O que vou fazer? Que tipo de duende sou eu se não posso gritar e assustar ninguém?”.

Um rouxinol, que voava pela na floresta, ouviu o lamento do duende. Com pena dele, pousou em seu ombro e disse: “Eu sei quem pode te ajudar! Lá no alto do morro, depois da floresta, mora um médico muito bom. Ele pode curar sua voz”.

“Você acha mesmo, rouxinol? Eu assustei tantas pessoas. Será que alguém vai querer me ajudar?”, perguntou o duende, desanimado. “Claro que vai! O doutor tem um coração bom. Ele vai te ajudar sim! Vá até lá e diga que fui eu quem mandou você”, respondeu o rouxinol.

O duende pensou um pouco, e resolveu ir. Subiu o morro e encontrou uma casinha com uma placa que dizia: “Consultório Médico. Clínico Geral”. Ele bateu na porta, bem nervoso. O médico apareceu e, em vez de se assustar, sorriu. Pediu que o duende entrasse, examinou sua garganta e receitou um remédio feito com ervas da floresta. Os dois conversaram bastante. Ninguém sabe exatamente sobre o que falaram… só se sabe que a conversa foi muito importante.

Depois de alguns dias tomando o remédio, a voz do duende voltou e estava mais forte do que nunca! Mas algo tinha mudado. Ele já não queria mais assustar ninguém. Agora, caminhava pela floresta cantando com alegria. Sua voz era tão alta e bonita que até o médico no morro conseguia ouvir.

Um dia, o rouxinol voltou para visitá-lo e perguntou: “O que aconteceu com você? Por que está cantando ao invés de gritar? Não quer mais assustar ninguém?”. O duende sorriu e respondeu: “O doutor me ensinou uma coisa importante. Ele disse que, se eu cantasse em vez de gritar, minha garganta não ia se machucar de novo. E mais: que é melhor usar a voz para espalhar alegria do que para dar susto nos outros. Ele disse que eu tenho uma voz linda, e que seria uma pena usá-la só para gritar. E sabe de uma coisa? Ele tinha razão. Eu sou muito mais feliz cantando! Agora tenho amigos na floresta, porque ninguém mais tem medo de mim”. 

O rouxinol sorriu, feliz com a mudança. Ele sabia que tinha feito a coisa certa ao mandar o duende até o médico. E assim, o duende que antes assustava a floresta, virou o cantor mais querido entre os bichos. E sua voz, em vez de assustar, agora encantava todo mundo.

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