
Histórias para Dormir
A fada Florzinha e o coelhinho Felpudo
Quando a primavera chega, os campos passam a brilhar com várias cores, a grama fica mais verde e surgem flores lindas e coloridas. Algumas flores ficam bem retinhas como mastros, outras se viram para o sol, outras ainda ficam curvadas e pendem como sininhos. Quando você se aproxima e olha bem dentro delas, consegue ver uma pequena fada.
O nome dessa fada é Florzinha, ela usa um vestido colorido, como se fosse feito de arco-íris, e seus cabelinhos brilham no sol. Ela pula de flor em flor, gosta de sentir o perfume delas e quando precisa, ela levanta a pétala que caiu ou endireita o caule para não quebrar. A fada cuida de todas as flores com dedicação e, ao mesmo tempo, admira sua beleza. Mas ela também sabe fazer outra coisa: ela consegue curar usando as flores.
Em uma linda tarde ensolarada de primavera, Florzinha estava sentada numa margarida, balançando as perninhas no ar, e admirando a beleza das flores do campo. De repente, ouviu um choro baixinho na grama. “Ai, ai, o que vou fazer? Snif, snif. Ai de mim”.
Florzinha se levantou e olhou ao redor para ver de onde vinha aquele choro. Depois de um tempo, viu um coelhinho encolhido na grama, próximo a ela. Era o coelhinho Felpudo. A fada não hesitou e correu até ele. Quando chegou perto, ela disse: “Olá coelhinho, o que você tem? Porque está chorando assim?”. O coelhinho olhou surpreso para a linda fadinha. Piscou os olhos, pensando que estava apenas sonhando, mas viu que não.
Ele enxugou a lágrima, limpou o nariz com a patinha, e então começou a contar: “Sabe, eu estou triste porque sou diferente. Todo coelhinho tem orelhas bonitas e eretas, mas eu tenho uma para cima e outra para baixo. E além disso, elas doem muito e eu não escuto bem. Por isso estou triste e prefiro ficar sozinho”. Florzinha ficou com pena do coelhinho e quis ajudá-lo.
“Sabe de uma coisa, coelhinho? Não desanime. Tudo tem um jeito. Eu não sou uma fada comum. Eu sou a fada Florzinha e, como cuido das flores aqui do campo, elas me dão um poder mágico quando eu preciso. Fique aqui. Vou tentar te ajudar”, disse a fada, saltando campo afora. Então, ela começou a rodopiar, suas roupinhas começaram a brilhar e as cores de seu vestido iluminaram tudo à sua volta. Das flores, surgiu um redemoinho colorido de arco-íris.
A fada pulou na frente do coelhinho e fez sinal para ele se abaixar, para alcançar suas orelhas. Então, com muito cuidado, soprou as cores brilhantes do arco-íris dentro das orelhas dele. Felpudo ficou boquiaberto, sem acreditar no que estava acontecendo. Uma sensação incrível de calor tomou conta de suas orelhas e ele se sentiu aliviado. As orelhas pararam de doer e ele pulava de felicidade. “Muito obrigado, fada. Você não imagina como estou aliviado. Minhas orelhas não doem mais”, exclamou o coelhinho.
Então ele tocou suas orelhas e percebeu que ainda estava com uma para cima e outra para baixo. Mesmo assim, sorriu e disse: “Não me importa nem um pouco que elas sejam diferentes. Não podemos ser todos iguais”. A fada Florzinha ficou muito feliz por ter ajudado o coelhinho, mas ficou ainda mais feliz por ele valorizar suas orelhas que não doíam mais e entender que isso era mais importante do que a aparência delas. Ele estava certo, afinal, não podemos ser todos iguais. Somos interessantes justamente pelas nossas diferenças.
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