As peras selvagens

Adão e Paulinho eram irmãos cujas férias estavam apenas começando. Logo no primeiro dia, quiseram fazer um passeio, pois lá fora o sol brilhava maravilhosamente. Montaram nas bicicletas e seguiram pela trilha da floresta em direção ao lago para se refrescarem um pouco durante aquele dia quente. A água estava límpida e cristalina, puderam até avistar peixes nadando e, ao longe, uma patinha com seus filhotes.

“Quem será o primeiro na água?”, gritou Adão, correndo em direção ao lago. 

Paulinho correu atrás dele, e então ambos se jogaram no lago, espirraram água um no outro e mergulharam.

Contos para crianças - As peras selvagens
As peras selvagens

O tempo passou como água corrente e, de repente, o anoitecer começou a se aproximar. Os meninos subiram em suas bicicletas e partiram de volta para casa. Porém, nesse meio tempo, escureceu e eles se perderam na floresta.

“Acho que pegamos o caminho errado. Como vamos chegar em casa agora?”, perguntou Paulinho com tristeza.

“A mamãe vai ficar muito preocupada se não voltarmos. Certamente deve haver um caminho em algum lugar. Vamos encontrá-lo!”, falou Adão, tentando tranquilizar o irmão.

Tentaram várias trilhas, mas, em vez de irem para casa, acabaram chegando a uma pequena casinha na qual havia luz acesa.

“Talvez devêssemos perguntar sobre o caminho aqui…”, sugeriu Paulinho, e Adão concordou. 

Bateram à porta, mas, apesar de haver luz no interior, ninguém atendia. Tentaram a maçaneta, porém a porta estava trancada. Decidiram então dar uma olhada no jardim ao lado da casa, para ver se encontravam alguém por lá.

“Parece que não há ninguém aqui… Mas essas peras… Parecem deliciosamente doces e eu já estou com muita fome!”, disse Adão, balançando a árvore. 

Paulinho também já estava com o estômago vazio, e assim ambos se apressaram a comer as peras suculentas até se fartarem completamente. Depois, deitaram-se sob a árvore.

Mas, de repente, uma sensação estranha tomou conta deles: no lugar dos pés começaram a crescer pequenos cascos e, das cabeças, chifres.

“O que está acontecendo? Será que essas peras eram amaldiçoadas?”, gritou Paulinho, antes que ambos se transformassem em dois cabritinhos brancos. 

Confusos, começaram a brincar, batendo os chifrinhos um no outro, e corriam ao redor da árvore. Avistaram um balde com um pouco d’água e beberam.

Quando brincavam de se perseguir pelo jardim, apareceu uma senhora no pátio, falando alto e gesticulando:

“Meu Deus, lá vão minhas peras de novo. São lindas, mas sempre aparecem alguns gulosos que me comem todas. Bem, não faz mal, esperem aí que eu já volto para ajudá-los.”

Os meninos ficaram contentes e, obedientemente, se sentaram sob a árvore, enquanto esperavam a senhora voltar.

“Bebam isso e ficarão bem novamente!”, disse ela, oferecendo-lhes uma tigela com água de ervas. 

E realmente, num instante já tinham mãos e pés novamente.

“Senhora, que pêra estranha é essa que a senhora tem?”, perguntou Paulinho.

“Sempre vem alguém roubá-las, então há alguns anos pedi para a fada do jardim enfeitiçá-las, para que ninguém as tomasse de mim!”, explicou a vovó. 

Os meninos provavelmente não acreditariam nisso se, há pouco, não tivessem se transformado em cabritinhos.

“E será que a senhora pode nos ajudar mais uma vez? Estávamos no lago e não sabemos como voltar para casa…”, pediu Adão.

“Vou ajudar vocês, meninos!”, sorriu a vovó. 

Ela arrancou algumas cerejas do pé, deu para os irmãos e, assim que as comeram, encontraram-se no pátio de sua casa.

Quem será que era aquela senhorinha? Seria uma bruxa? Isso permaneceu um mistério para eles — mas certamente vão se lembrar desse dia até a velhice.

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