Além de três montanhas e três vales escondia-se uma pequena aldeia, onde o povo vivia em paz. A maioria se sustentava cultivando a terra ou criando animais. Em uma das cabanas morava um homem que tinha um jumentinho. Não era, porém, bom para o animal; obrigava-o a trabalhar à exaustão. Não passava um dia sequer sem que o maltratasse ou o deixasse sem comida depois do trabalho pesado.
Hoje também não foi diferente. O homem partiu com o jumentinho para o campo.
“Hoje temos que colher todas as batatas. Amanhã chegam os compradores, e se não conseguirmos, nem queira saber…”, ordenou ao jumentinho, que se entristeceu.

Ele puxava o arado pesado pelo extenso campo, o sol ardia e, na metade do trajeto, já não conseguia mais. Queria ao menos descansar um pouco, mas o seu dono o chicoteou.
“Eu disse que hoje terminaríamos todo o campo! Você por acaso está surdo?”
O jumentinho se esforçou, mas já não tinha mais forças. O campo foi arado apenas pela metade. Quando voltaram para casa, o jumentinho se alegrou com o balde de água em seu pequeno estábulo. Esperava receber ao menos um pouco de feno, mas o seu dono apenas bateu a porta e saiu praguejando. O jumentinho se perguntava, em seu íntimo, por que recebia tal tratamento depois de tanto trabalho. E assim decidiu que partiria dali.
Bebeu água, correu contra as velhas portas de madeira e as arrebentou. Em seguida, correu até se encontrar num descampado sob a floresta. Ali, avistou um jovem rapaz.
“Como você veio parar aqui? Não tem um lar ou alguém te abandonou?”, perguntou baixinho, fazendo carinho na cabeça do animal. “Se não tem dono, vou levar você para casa. Do outro lado da floresta temos uma cabana, criamos pintinhos e você vai gostar de lá.”
O rapaz, que se chamava Joãozinho, pegou o jumentinho pela corda e o levou para casa. Deu-lhe água e lhe ofereceu comida. O jumentinho logo se pôs a comer o feno.
“Você devia estar com muita fome!”, disse Joãozinho. “E quando ficar satisfeito, vou levar você, te lavar e escovar.”
E assim Joãozinho o fez. O jumentinho nunca se sentiu melhor.
“É muito forte e bonito. Vou te chamar de Oscar”, sorriu Joãozinho. “Vem, vamos passear, vou te mostrar os arredores.”
Subiu em suas costas e juntos galoparam pelos campos e florestas, até que finalmente se deitaram na grama alta.
Oscar ficou feliz por ter encontrado um lar onde alguém o amava, e Joãozinho, por ter um amigo fiel. Daquele dia em diante, viveram juntos muitas aventuras e jamais voltaram a ficar sozinhos.