Catarina e Raiza eram irmãs que sempre passavam o verão na casa da vovó, no campo. A vovó tinha uma casinha antiga, cercada por um jardim cheio de ervas aromáticas, girassóis e árvores frutíferas. Todas as manhãs, eram despertadas pelo canto dos pássaros e pelo aroma do pãozinho recém-assado.
Numa tarde quente, quando o sol quase parava no céu e o ar mal se movia, as meninas decidiram explorar o sótão da vovó. Entre velhas malas e livros empoeirados, encontraram uma caixinha de madeira com uma pequena chave entalhada. Na tampa estava gravado: “Abra somente se acreditar em milagres.”

Catarina sorriu para Raiza e sussurrou:
“Vamos tentar.”
Ao abrir a caixinha, encontraram apenas um feijão ressecado e um bilhete com os dizeres: “Plante-me durante a lua cheia.”
Esperaram três dias pela lua cheia. Quando a noite se iluminou com o luar prateado, plantaram o feijão sob uma velha pereira. No dia seguinte, a planta havia crescido tanto que se perdia nas nuvens.
Empolgadas, subiram por ela e descobriram um mundo encantado. Nas alturas, o vento cantava, e as nuvens eram macias como almofadas. Havia ilhotas voadoras feitas de chocolate e riachos cor de arco-íris que murmuravam docemente. As borboletas eram enormes, cintilantes, e falavam com vozinhas engraçadas. Catarina e Raiza corriam atrás delas, rindo, enquanto as borboletas lhes faziam cócegas no nariz.
Depois, sentaram-se em uma nuvenzinha em forma de balanço e comeram bolinhos que cresciam nos galhos das árvores de algodão-doce. Saltavam de nuvem em nuvem, como se pulassem sobre enormes colchões de penas. Ao longe, viam castelos dourados flutuando no céu e longas pontes de arco-íris, de onde deslizavam como em tobogãs.
O tempo passou rápido. Quando o sol começou a se pôr, as nuvens se desfizeram lentamente. As meninas se despediram das borboletas e desceram pela planta até o chão, onde a vovó as esperava com chá quente e um sorriso.
“Vejo que encontraram meu velho tesouro!”, disse a vovó, com um brilho nos olhos. “Cada geração tem apenas uma oportunidade. Agora é a vez de vocês acreditarem em milagres.”
E assim, Catarina e Raiza voltaram para casa com um grande segredo — e a certeza de que alguns verões são mágicos para sempre.