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Contos para dormir - Joãozinho e o cervo mágico

Histórias para Dormir

Joãozinho e o cervo mágico

Era uma vez um menininho chamado Joãozinho, que morava com um cervo de chifres dourados. O cervo cuidava dele com muito carinho, mas sempre avisava: quando Joãozinho estivesse sozinho em casa, não era para abrir a porta para ninguém.

Um dia, quando o cervo saiu para pastar, como sempre fazia, umas vozinhas doces chamaram do lado de fora da porta:

“Joãozinho, meu benzinho, abra a porta um tiquinho! Só dois dedinhos a gente vai pôr, se esquentar um pouquinho e logo vai embora.”

Joãozinho lembrou do aviso do cervo e não abriu. Quando o cervo voltou do pasto, Joãozinho contou o que tinha acontecido. O cervo o elogiou e lembrou mais uma vez que ele não devia abrir a porta para ninguém, principalmente para as bruxas que moravam na caverna, porque elas iam levá-lo embora.

Alguns dias depois, numa hora em que Joãozinho estava sozinho em casa de novo, as vozinhas doces voltaram a pedir do lado de fora:

“Joãozinho, meu benzinho, abra a porta um tiquinho! Só dois dedinhos a gente vai pôr, se esquentar um pouquinho e logo vai embora.”

Joãozinho não abriu. Mas as bruxas, escondidas atrás da porta, não desistiram e continuaram pedindo e pedindo. Joãozinho até queria vê-las e ajudá-las a se esquentar. Tanto insistiram que ele acabou abrindo uma frestinha da porta. As bruxas enfiaram os dedos compridos e branquinhos, depois a mão inteira e… upa! Já estavam lá dentro. Agarraram Joãozinho e fugiram com ele.

O pobre Joãozinho gritou, desesperado: “Cervo dos chifres dourados, por montes e vales a pastar, as bruxas estão me levando, venha depressa me salvar!”

Por sorte, o cervo estava pastando ali perto e veio correndo salvar Joãozinho das bruxas. Mas, em casa, deu uma bronca nele e mandou, bem sério, que ele nunca mais abrisse a porta para as bruxas.

Passou um bom tempo sem as bruxas aparecerem, e Joãozinho já tinha quase esquecido aquele susto. Mas, um dia, umas vozinhas doces e suaves pediram do lado de fora que ele abrisse a porta: “Joãozinho, meu benzinho, abra a porta um tiquinho! Só dois dedinhos a gente vai pôr, se esquentar um pouquinho e logo vai embora.” “Nada disso”, respondeu Joãozinho, “vocês iam me levar de novo.” Mas as bruxas choramingaram e se lamentaram: “Só dois dedinhos, Joãozinho, estamos congelando aqui fora!” Até que Joãozinho acabou cedendo e abriu a porta só o tantinho de dois dedos. Uns dedos compridos e pálidos foram se enfiando para dentro, logo depois as mãos inteiras, e, de repente, as bruxas já estavam dentro de casa. Num instante, agarraram Joãozinho e saíram correndo com ele.

Joãozinho gritou como da outra vez: “Cervo dos chifres dourados, por montes e vales a pastar, as bruxas estão me levando, venha depressa me salvar!” Mas, dessa vez, ninguém veio correndo. Naquele dia, o cervo estava pastando longe demais para ouvir o chamado.

As bruxas levaram Joãozinho para a caverna delas e lá ficaram dando comida para ele sem parar. Não por bondade, claro, mas para poderem comê-lo quando ele estivesse bem gordo. E, a cada dia, o menino ficava um pouquinho mais redondinho. Um dia, as bruxas pediram para ele mostrar o dedo. Joãozinho mostrou o mindinho, e elas apertaram para ver se ele já estava bem gordinho. Como estava, já iam se preparando para comê-lo.

Sem saber mais o que fazer, o pobre Joãozinho resolveu chamar o amigo cervo pela última vez: “Cervo dos chifres dourados, por montes e vales a pastar, as bruxas estão me levando, venha depressa me salvar!”

Que sorte a do menino! Bem naquela hora, o cervo estava procurando por ele e estava pertinho da caverna. Ouviu o chamado de Joãozinho e, em poucos saltos, chegou lá. Pegou Joãozinho nos chifres e levou de volta para casa. Depois disso, Joãozinho nunca mais abriu a porta para as bruxas, por mais que elas implorassem. Ele sabia que não dá para ficar abusando da sorte para sempre. Da próxima vez, a história podia não ter um final tão feliz.

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