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Contos curtos para crianças - Como o lago congela

Histórias para Dormir

Como o lago congela

Lá longe, depois de sete montanhas e sete vales, ficava escondido um vilarejo muito bonito. Todas as casinhas tinham sido construídas em roda, e bem no meio havia um lago grande. Todo ano, quando chegava o inverno, o lago congelava, e todo mundo que morava no vilarejo ia patinar nele. Ia todo mundo, sem exceção: pequenos e grandes, novos e velhos, meninas e meninos.

Numa das casas perto do lago morava um menino chamado Davi. Ele era curioso e queria descobrir como tudo funcionava. Vivia fazendo perguntas e queria saber a resposta de todas. Toda noite, deitado na cama, ele se virava para a janela e ficava olhando o lago. Ficava imaginando que mágica acontecia de noite para o lago amanhecer todinho congelado. A mãe sempre dizia que aquilo era coisa da natureza, mas ele sabia que tinha algo mais. 

Uma noite, o Davi não conseguia dormir e ficou olhando o lago de novo. Os olhos já estavam fechando quando, de repente, ele ouviu um som diferente. Era um tlim-tlim, como se alguém já estivesse patinando no lago. Ele espiou pela janela, bem disfarçado, e não acreditou no que viu: tinha um duende patinando no lago! Era pequenininho, todo prateado e brilhante, e a luz dele iluminava a água. Não usava patins, mas patinava que era uma beleza, espalhando gelo por onde passava.

Cada vez que ele tomava impulso, fazia um tlim baixinho e delicado. Ele patinava pelo lago de lá para cá, para todo lado. Demorou um pouquinho, mas no fim o duendezinho conseguiu cobrir o lago inteiro de gelo. Depois deu uma volta em todo o lago, olhando em volta como se estivesse procurando alguma coisa. “Que pena… Bem que eu comeria alguma coisinha depois de tanto trabalho, mas aqui não tem nada”, resmungou o duende sozinho. Então correu para o meio do lago, deu três piruetas no ar, fez um último tlim e sumiu.

O Davi continuou olhando pela janela, pensando no que tinha acabado de ver. Nas noites seguintes, ficou esperando o duende aparecer de novo, mas nada. Passou um bom tempo sem ele vir, porque o lago continuava bem congelado. Até que, numa noite, o duende finalmente apareceu: precisava consertar o gelo para o lago continuar firme. O Davi ficou felicíssimo de ver o duende outra vez. Lembrou que ele queria comer alguma coisa e deixou na beira do lago uns biscoitos embrulhados num lencinho e um pouco de leite, torcendo para o duende gostar.

O Davi ficou olhando o duende arrumar o gelo. Depois o duende foi até o embrulhinho que achou na beira do lago e, quando abriu, os olhos dele brilharam. Era a primeira vez que alguém lhe dava alguma coisa! Enfiou tudo na boca de uma vez e bebeu o leite. E, com o leite ainda escorrendo pelo queixo, gritou para todos os lados: “Obrigado! Não sei quem deixou isso aqui, mas muito obrigado mesmo! Não precisa ter medo de mim. Da próxima vez, vem cá fora e a gente patina junto!”

O Davi ficou todo feliz. Desde então, sempre que o inverno vinha chegando e começava a esfriar, ele sentava na janela já agasalhado, com os patins numa mão e o lencinho com biscoitos e leite na outra, esperando o seu amigo duende. E mesmo depois de crescer, a amizade dos dois continuou e só ficou mais forte com o tempo.

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1 comentário

  1. Regina Santos

    Amamos o site🥰.
    Minha filha fez 6 aninhos ontem, e ela nunca dorme sem história.
    Obrigada 🙏

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