
Histórias para Dormir
Como o cachorrinho passeou com o Senhor Horácio
O Senhor Horácio morava sozinho numa casinha pequena. E, sozinho, ele se sentia triste. Por isso, resolveu arranjar um amigo, alguém que pudesse até sair para passear com ele. E lá foi ele dar uma olhada numa loja de animais.
A primeira coisa que chamou a atenção do Senhor Horácio foram os peixinhos. Mas como é que peixinho ia passear com ele? Também ia ser difícil pôr uma coleira neles, e fazer carinho, nem pensar. Então ele foi procurar outro amigo.
Quem sabe um porquinho-da-índia? Peitoral com guia porquinho-da-índia até usa. Mas uma caminhada animada? Para isso, as perninhas dele são curtas demais, e ele provavelmente nem ia querer ir aonde o Senhor Horácio quisesse. Então o Senhor Horácio continuou procurando.
Aí ele viu um cachorrinho pequenininho e se apaixonou na hora. “Esse vai ser o amigo perfeito para passear e para fazer carinho!”, pensou, todo contente. Comprou o filhote na mesma hora e levou para casa.
Só que filhote de cachorro dá trabalho. Filhote quer brincar o tempo todo e precisa de brinquedos. E disso o Senhor Horácio esqueceu. Resultado: logo no segundo dia, o cachorrinho roeu o travesseiro todinho.
“Ah, seu pestinha!”, disse o Senhor Horácio. Ele estava bravo, mas sorria ao mesmo tempo. Afinal, era só um filhotinho bobo.
E lá foi ele à loja comprar um travesseiro novo.
Quando voltou para casa com o travesseiro, encontrou o edredom todo roído.
“Eu devia ter comprado um edredom logo de uma vez, seu danadinho”, disse ao cachorrinho, balançando o dedo de leve, e voltou à loja para comprar o edredom.
Quando chegou em casa, se jogou na cama, o cachorrinho se aconchegou nele, e os dois dormiram juntinhos.
Os dias foram passando, e o cachorrinho foi crescendo. O Senhor Horácio percebeu isso uma noite, quando o cachorrinho pulou na cama dele: os pés da cama rangeram e quebraram. “Ele está crescendo forte e saudável”, pensou o Senhor Horácio, todo satisfeito.
“Amanhã vou te levar para uma caminhada bem comprida, para você se cansar, e vou te ensinar a andar junto”, prometeu o Senhor Horácio ao cachorrinho. Fez um cafuné atrás da orelha dele e pegou no sono.
No dia seguinte, pôs o cachorrinho no carro e foi até a saída da cidade, onde tinha um campo e uma mata. O cachorrinho ficou todo feliz. Pulou do carro feito um foguete e, como já era um filhote bem grandinho, saiu puxando o Senhor Horácio pela guia, que mal conseguia acompanhar.
“Junto, junto”, chamava o Senhor Horácio.
Mas filhote é filhote. Disparou para a frente como um trator. O Senhor Horácio queria ir por outro lado, mas o cachorrinho, teimoso, ia para onde ele queria. O Senhor Horácio olhou bem: por aquela árvore eles já tinham passado pelo menos quatro vezes. E pela quinta vez… era a mesma árvore! Pois é, o cachorrinho estava dando voltas e mais voltas na rotatória! Que passeio era esse?
“Aqui, junto! E agora devagarinho, para a mata!”, chamou o Senhor Horácio, dando um tapinha de leve no traseiro do cachorrinho.
O cachorrinho arregalou os olhos e disparou pelo campo como um cavalo desembestado. Arrastou o Senhor Horácio pelo meio do mato e continuou correndo. O Senhor Horácio mal conseguia mexer as pernas para acompanhar.
Nisso, ia passando uma vizinha com a filhinha.
“Olha, mamãe”, disse a menininha. “Olha o Senhor Horácio voando!”
“Onde?”, perguntou a mamãe, olhando para o céu.
“No céu não, mamãe! Ali, ó, atrás do cachorrinho na guia. É o Senhor Horácio, nosso vizinho, voando!”
O Senhor Horácio mal teve tempo de acenar para elas e já sumiu no mato, puxado pelo cachorrinho.
Logo depois, esperava por eles uma poça de lama enorme. Ali, finalmente, o cachorrinho parou e começou a rolar na lama, todo feliz.
“Acho que comprei um porquinho disfarçado de cachorro”, queixou-se o Senhor Horácio para si mesmo, tentando recuperar o fôlego.
Agora o cachorrinho estava satisfeito. Até o carro, foi andando junto, comportadinho que só. Mas os dois, cachorro e dono, estavam cobertos de lama da cabeça aos pés.
Quando chegaram em casa, o Senhor Horácio lavou o carro. Depois lavou o cachorrinho. E depois ainda teve que se lavar.
À noite, estava tão cansado que caiu na cama e dormiu na hora. Mas estava muito feliz: tinha um amigo alegre, não estava mais sozinho e, com aquele cachorrinho, tédio é que ele nunca ia sentir. E o cachorrinho? Também ficou bem cansado. Deitado ao lado do Senhor Horácio, ainda mexia as patinhas dormindo, sonhando que estava de novo passeando com o seu dono querido.
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