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Contos para crianças - A mudança de Tempestade

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A mudança de Tempestade

Em volta de uma cidadezinha encantada passava uma estrada. Por ela andavam carros pequenos e grandes. Os caminhões entregavam mercadorias, e os carros menores levavam as pessoas para o trabalho. Nessa cidade encantada, as pessoas e os carros eram amigos. Um ajudava o outro.

Os carros levavam as pessoas aonde elas precisavam ir, e as pessoas cuidavam muito bem dos carros: lavavam, enchiam o tanque e consertavam quando quebravam. Em troca, os carros faziam de tudo para andar direitinho, seguindo as regras. Era a cidade mais feliz da região inteira, até o dia em que chegou um carro chamado Tempestade.

Uma manhã, quando o sol mal tinha nascido, um carro passou voando pela cidade. E não foi uma vez só, foram várias! Acabou com a paz e o silêncio da manhã na cidade inteira. O carro fazia um barulhão, estava imundo e ia soltando lama por todo lado, buzinava sem parar e cantava pneu nas derrapagens. O Tempestade não respeitava as regras de trânsito de jeito nenhum.

A cidade toda começou a acordar. As pessoas olhavam pela janela, e os carros abriam a garagem para ver o que estava acontecendo. As viaturas da polícia não perderam tempo e foram rapidinho atrás do carro novo, que ia destruindo tudo o que encontrava. Lá de longe, já vinham com as sirenes ligadas. Mas o Tempestade nem ligou. Ainda gritava para eles: “Ué, não gostaram de mim? Vieram me prender? Vão nada! Eu sou o Tempestade, o carro que ninguém consegue parar! E faço o que eu bem entender”.

Os carros da polícia aceleraram e tentaram cercar o Tempestade. Mas, assim que ele viu que eles não tinham medo dele, deu meia-volta na mesma hora. E começou a perseguição! O Tempestade atravessava a cidade derrubando latas de lixo, subindo na calçada e cantando os freios nas curvas. A polícia tentava parar o carro o mais rápido possível, e todo mundo na cidade saía da frente e corria para se esconder em casa.

Mas aí aconteceu uma coisa que ninguém na cidade nunca vai esquecer. Numa curva, o Tempestade derrapou e não conseguiu segurar a direção. Rodou para tudo quanto é lado, capotou e foi arrastando de cabeça para baixo pela estrada um tempão. O teto de lata raspava tanto no asfalto que começaram a voar faíscas, e num instante ele pegou fogo. Nessa hora, as viaturas chegaram. Chamaram os bombeiros na mesma hora. As pessoas também vieram correndo. Os bombeiros apagavam as chamas, e o povo trazia água. Quase a cidade inteira ajudou a salvar o Tempestade. Depois, os guinchos levaram ele para a oficina.

O pessoal passou vários dias consertando o Tempestade e cuidando dele. Uns dias depois, ele acordou. Quando descobriu tudo o que tinham feito por ele – que não deixaram ele queimar e ainda consertaram tudo –, ficou surpreso. Mas, mais do que tudo, ficou com vergonha. Bem baixinho, perguntou: “Por que vocês não me deixaram lá, todo destruído, e não me mandaram para o ferro-velho? Eu fiz tanta coisa errada com vocês. E não escutei ninguém”. O mecânico, que cuidava dele na oficina, olhou para ele e disse: “A gente quis te dar uma segunda chance. Nunca é tarde para mudar e virar um carro direito. Mas a sua desobediência vai ter consequências, sim. Você ficou muito estragado, então nunca mais vai conseguir correr tão rápido. E uns arranhões no capô vão ficar para sempre”.

O Tempestade só sorriu. Não se importava com aquilo. Ele sabia que, por ter sido tão metido, podia ter acabado bem pior. Até hoje ele mora nessa cidade. Agora anda direitinho, respeitando as regras, e mostra os arranhões no capô para as crianças que não obedecem. Ele conta como se comportou mal e como depois mudou.

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