
Histórias para Dormir
A Casa Assombrada
Bia e Lia eram duas menininhas fora do comum. Eram gêmeas, ou seja, irmãzinhas que nasceram no mesmo dia, quase na mesma hora. À primeira vista, eram parecidíssimas, mas o jeito delas era completamente diferente. A Bia era corajosa e queria fazer tudo na mesma hora. A Lia era cuidadosa e pensava bastante antes de dar o primeiro passo. E as duas faziam tudo juntas.
Na cidade onde elas moravam, lá no alto do morro mais alto, tinha uma casa esquisita que todo mundo enxergava de longe. As casinhas da cidade eram coloridas, com jardins bonitos e flores nas janelas. Mas aquela era bem diferente: era cinza-escura, não tinha grama em volta, estava cheia de teia de aranha e só corvos e gralhas voavam por ali. Era uma casa mal-assombrada. Ninguém sabia o que tinha acontecido lá dentro, nem por que ninguém morava nela. As crianças eram proibidas de chegar perto. Mas a Bia e a Lia estavam morrendo de curiosidade. Elas tinham que desvendar esse mistério!
Numa tarde, já quase de noitinha, as duas resolveram ir até a casa mal-assombrada para descobrir tudo. Quando chegaram lá, a Bia já foi correndo para entrar, mas a Lia segurou a irmã pelo braço: “Espera, Bia! A gente não sabe o que tem lá dentro. Temos que ir com cuidado. Primeiro vamos abrir a porta bem devagarinho.” A Bia fez que sim com a cabeça.
As duas foram até a porta, empurraram devagar, e ela se abriu. As meninas entraram. Estava tudo escuro, só entrava um pouquinho de luz pelas janelas sujas. “Oi, boa tarde! Tem alguém aí?”, chamaram as meninas. Ninguém respondeu. Só ouviram um rangido atrás delas. Quando se viraram, nem acreditaram no que viram: duas cadeiras de madeira, velhas e rangendo, vinham pulando na direção delas! A Lia pegou a mão da Bia e deu um passo para trás. A Bia perguntou: “Você está vendo o mesmo que eu, Lia? Essas cadeiras estão mesmo andando sozinhas atrás da gente?” A Lia só fez que sim com a cabeça. Não conseguia dizer nada. As cadeiras foram chegando cada vez mais perto e as meninas foram recuando, até ficarem grudadas na parede suja. Aí elas criaram coragem, ficaram de frente para as cadeiras e esperaram para ver o que ia acontecer.
Foi aí que aconteceu uma coisa que ninguém esperava. Uma das cadeiras falou: “Não precisam ter medo da gente. Muito tempo atrás, nós morávamos aqui. Mas a gente nunca limpava nada nem cuidava da casa. Até que um dia a casa perdeu a paciência e disse que, se a gente não sabia cuidar dela, não merecia viver bem. Então ela transformou a gente nessas cadeiras. Só vamos ficar livres quando alguém limpar e arrumar tudo direitinho. Mas ninguém quer fazer isso, todo mundo tem medo. A casa parece mal-assombrada.”
A Bia, sem pensar duas vezes, gritou toda animada: “Então a gente arruma e limpa tudo! A gente não tem medo de nada!” E as duas arregaçaram as mangas. Levou umas boas horas até a casa inteira ficar limpinha. Quando terminaram, um ventão começou a soprar dentro da casa. Ele levantou as cadeiras num redemoinho e girou tanto que nem dava mais para ver. As meninas cobriram os olhos, e tudo na casa começou a rodar.
Quando o redemoinho parou, apareceram duas pessoas na frente da Bia e da Lia. No lugar das cadeiras, estava ali um casal. Eles abraçaram as meninas bem apertado e agradeceram por terem quebrado o feitiço. Dali em diante, os dois passaram a dar valor à casa e às coisas que tinham, e cuidavam de tudo com muito carinho.
Contos para crianças em fase escolar Histórias curtas para dormir Histórias de crianças Histórias de fantasma Histórias mágicas




O que você achou da história?