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Histórias para dormir pequenas - A bruxa e o bruxo

Histórias para Dormir

A bruxa e o bruxo

Bem longe, no meio de uma floresta fechada, havia uma casinha de madeira que parecia saída de um conto de fadas. Tinha telhado vermelho, porta de madeira, janelas pintadas com cortininhas coloridas e era toda verde. Lá morava um casal de bruxos bonzinhos. Os dois já eram bem velhinhos, mas, como eram mágicos, isso não tinha importância.

Os dois tinham uma verruga no nariz e andavam apoiados numa bengala. A bruxa adorava cozinhar e, por isso, todo dia saía da casinha um cheirinho maravilhoso. O bruxo adorava a comida dela. 

Um dia, o bruxo resolveu dar um passeio pela floresta. Foi andando por uma trilha, entre pés de framboesa e mirtilo. Virou à direita, depois à esquerda e, de repente, percebeu que não sabia onde estava. Ele conhecia a floresta como a palma da mão, mas enxergava mal e acabou se perdendo. Andou mais um pouco, sempre dando voltas, tentando achar a trilha por onde tinha vindo, mas nem sinal dela. Depois de tanto andar, as pernas começaram a doer, e ele se sentou debaixo de uma árvore grande para descansar.

Enquanto isso, em casa, a bruxa já estava aflita com o seu querido bruxo. Andava nervosa em volta da casinha, olhando para todos os lados, mas nada de ele aparecer. “Com certeza ele se perdeu. Mas como é que eu vou trazer ele de volta, se ainda por cima ele enxerga tão mal?”, falou a bruxa em voz alta. 

Alguns minutos depois, ela teve uma ótima ideia: “Vou fazer a comida mais cheirosa que eu conheço. O cheiro vai se espalhar pela floresta e, assim que ele sentir, vai seguir o nariz direitinho até em casa”. E mãos à obra! Não foi nada fácil. Primeiro, ela teve que rachar lenha para acender o fogão. Depois, colheu as ervas mais cheirosas da horta e tirou água do poço para cozinhá-las. Na horta, colheu também uns legumes, pôs tudo na água junto com as ervas e acrescentou os temperos. A água começou a borbulhar e o cheirinho da comida tomou conta da casa. 

Mais que depressa, a bruxa abriu a porta e as janelas, para o cheiro ir o mais longe possível floresta adentro. E, para ter certeza de que ele ia chegar a toda a floresta, pegou um leque e começou a abanar da porta em direção às árvores. Depois disse umas palavras mágicas: “Cheirinho de ervas, voa sem parar e traz o meu amado de volta ao lar!”. 

A floresta inteira ficou perfumada, porque o cheiro da comida era mais forte que o das flores e o da resina dos pinheiros. As palavras mágicas levaram o cheiro até o bruxo perdido, que estava sentadinho, triste, debaixo da árvore. De repente, um cheirinho conhecido de ervas fez cócegas no nariz dele. Ele se levantou num pulo, pegou a bengala e foi seguindo aquele cheiro salvador até chegar, finalmente, à casinha, onde a bruxa já estava esperando. De longe, ela gritou, toda feliz: “Eu sabia que você ia reconhecer o cheiro e voltar!”.

O bruxo ficou muito feliz por sua amada ter conseguido trazê-lo de volta. E, quando viu tudo o que ela tinha feito para ajudá-lo, passou a dar ainda mais valor a ela. Até hoje os dois moram na casinha de conto de fadas e se ajudam com as suas mágicas. E sabem que sempre podem contar um com o outro.

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