
Histórias para Dormir
A brincadeira de fantasias
O Joãozinho e o Samuca eram irmãos. Os dois eram muito curiosos e brincalhões, só que nem sempre se comportavam como irmãos: volta e meia se cutucavam e tiravam sarro um do outro.
O Samuca tinha só um amigo e era mais na dele. Gostava de ficar em casa, brincando sozinho de Lego ou de carrinho. Já o Joãozinho era o mais corajoso. Adorava correr lá fora com os amigos, inventando um monte de travessuras.
Os dois irmãos estudavam na mesma turma, o 4º ano B. Mas, na escola, cada um ficava na sua turminha. O Samuca tinha um amigo, e o Joãozinho tinha um monte. Os melhores eram o Felipe e o Pedrinho.
Naquele dia, depois da aula, o tempo estava bonito, e a professora levou as crianças do contraturno para o pátio, para brincarem um pouquinho no sol. A primavera estava a todo vapor.
“Vamos fazer uma brincadeira. Cada um vai se fantasiar do jeito que conseguir. Vocês podem usar as coisas que eu vou dar ou coisas da natureza, vocês é que sabem. E a gente vai tentar adivinhar a fantasia de cada um!”, disse a professora, colocando na frente das crianças uma caixa cheia de panos, máscaras, tintas, perucas, chapéus e tudo quanto é tipo de fantasia.
Mas as crianças também podiam pegar coisas por ali: das árvores, dos arbustos ou das flores. Era só usar a imaginação.
A Ana fez uma tiara de dentes-de-leão e pôs no cabelo. Vestiu uma camiseta amarela que estava entre as fantasias da professora e virou uma linda florzinha de dente-de-leão. As amigas Martinha e Julinha puseram chapéus roxos na cabeça e pintaram bolinhas vermelhas no nariz: eram palhacinhas. O Joãozinho e os melhores amigos dele, o Felipe e o Pedrinho, ficaram pensando do que iam se fantasiar. Puseram gorros pretos e pintaram risquinhos verdes no rosto. Eram soldados valentes! Até fizeram estilingues de madeira.
E o irmãozinho do Joãozinho, o Samuca? Naquele dia o melhor amigo dele tinha faltado, então ele não sabia o que vestir. Quem poderia dar uma ajuda? Ele estava meio sem jeito. Olhou para a caixa cheia de fantasias e ficou pensando no que poderia inventar.
“Crianças, vocês têm só mais um minutinho, e aí a gente começa a adivinhar!”, disse a professora.
O Samuca tentou pensar rápido, mas não lhe vinha nenhuma ideia. No fim, pôs uma panelinha na cabeça e pegou uns galhinhos nas mãos. Ainda bem que naquele dia ele estava de camiseta branca! Ele era um boneco de neve!
“Bom, então vamos adivinhar do que o Joãozinho e os amigos dele estão fantasiados”, começou a professora, e todas as crianças fizeram uma fila.
“Policiais!”, gritou a Martinha. Os meninos balançaram a cabeça que não e fizeram careta.
“Hummm, então soldados!”, corrigiu a Julinha.
Os meninos fizeram que sim com a cabeça. E assim as crianças foram adivinhando as fantasias dos colegas, e acertaram todas. Até que chegou a vez do Samuca, que estava escondidinho lá atrás, todo tímido.
“Que roupa é essa? Você está muito engraçado!”, disseram o Felipe e o Pedrinho, e começaram a rir do Samuca e a cutucar o menino.
O Samuca ficou olhando para o chão, tristinho. A professora já ia dar uma bronca nos meninos quando o Joãozinho se pôs na frente do irmão.
“Ei, deixem ele em paz!”, disse o Joãozinho, defendendo o irmão na frente dos amigos. “Ninguém vai mexer com ele!”
“Ué, mas você também vivia tirando sarro dele!”, provocaram o Felipe e o Pedrinho.
“Mas eu posso, ele é meu irmão! E mais ninguém vai rir dele! E a fantasia dele é demais: ele é um boneco de neve!”, disse o Joãozinho, sorrindo para o Samuca e dando um abraço nele.
A professora ficou emocionada. Fazia tempo que ela não via os dois irmãos se entendendo tão bem. Todo mundo bateu palmas, e o concurso de fantasias acabou.
“Muito bem! Vocês acertaram tudo! E agora podem brincar de pega-pega!”, disse a professora.
E assim as crianças não só brincaram de se fantasiar, como também viram os dois irmãos fazerem as pazes. O Samuca e o Joãozinho descobriram uma coisa que procuravam fazia tempo… a amizade entre irmãos.
O Felipe e o Pedrinho pediram desculpas ao Samuca, e todo mundo foi brincar de pega-pega junto. Depois disso, o Joãozinho e o Samuca nunca mais brigaram. Um sempre ficava do lado do outro. Afinal, eles eram irmãos, e é assim que tem que ser.
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