
Histórias para Dormir
Mapa mudo
Em uma escola de ensino fundamental havia uma sala enorme que servia de depósito para os mais diversos mapas. As crianças aprendiam com esses mapas a reconhecer cidades, rios, cordilheiras e muitas outras coisas.
A porta dessa sala nunca ficava fechada por muito tempo. As professoras e os professores se revezavam ali e sempre escolhiam algum mapa para levar à sala de aula.
Mas havia ali também um mapa muito triste. É que ele já tinha perdido, havia muito tempo, todas as inscrições, pontos, linhas, rios, cidades e campos. Estava completamente vazio. Ele estava muito triste e achava que ficaria trancado naquele depósito para sempre, até se desfazer em pó.
Os outros mapas, seus amigos, às vezes riam um pouco dele. Eles tinham orgulho de servir às crianças e achavam engraçado que o amigo deles não tivesse nada desenhado além das fronteiras do país. De brincadeira, começaram a chamá-lo de mapa mudo, e isso o deixava realmente muito triste.
Quando já não conseguia mais suportar seu sofrimento, decidiu fugir.
“Prefiro ser inútil sozinho em algum outro lugar do que deixar que me machuquem. Talvez alguém me use pelo menos para pintar”, disse ele a si mesmo.
Então, esgueirou-se pela porta e partiu em sua jornada.
No começo, ele apenas perambulava pela escola, porque queria encontrar a sala de artes. Esperava que as crianças o usassem para fazer algum desenho bonito. Só que ele não conseguiu encontrar essa sala. Pensou, então, que sairia da escola e encontraria sua felicidade em um mundo distante.
Mas, antes de achar a porta principal, deu de cara com a professora Lúcia, que disse surpresa: “Ai, ai, ai, mapa, o que você está fazendo aqui? E por que não tem nada desenhado em você? Você parece um mapa mudo”.
O mapa não poderia estar mais triste: “Até a professora me chama de mapa mudo. Para que eu sirvo?”, pensou ele.
Mas a professora continuou pensando alto: “Bem, não vamos jogar você fora. Afinal, você pode ser um ótimo material de ensino”, disse Lúcia, toda contente, já pegando o mapa debaixo do braço.
O mapa mudo ficou um pouco surpreso. Como a professora Lúcia, que ensinava geografia, poderia usá-lo? Mas a resposta veio logo.
Lúcia levou o mapa para a sala de aula, pendurou-o na lousa e disse às crianças: “Crianças, hoje é dia de prova prática sobre rios e cidades da República Tcheca. Porém, vai ser de um jeito um pouco diferente. Eu trouxe este mapa mudo, e é justamente ele que vai testar melhor os conhecimentos de vocês”.
Depois, ela começou a chamar as crianças, uma por uma, para a lousa. Elas tinham que mostrar no mapa onde ficavam o rio Vltava e o rio Morava. Outras crianças procuraram České Budějovice, Ostrava e também Pelhřimov. Ela não se esqueceu das montanhas Krkonoše, dos Beskydy e de muitos outros lugares.
As crianças gostaram desse novo jeito de aprender, a professora também, e o mapa mudo ficou feliz por não só ter encontrado sua missão, mas também por ser muito útil.
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