
Histórias para Dormir
O pequeno cavaleiro de coragem gigante
Para lá de sete montanhas e de sete florestas, muito, muito longe, havia um pequeno reino. Bem no meio dele ficava a sua pequena capital, e nela vivia gente pequena.
Todo dia, o pequeno sapateiro fazia sapatinhos para os pezinhos dos moradores. Todo dia, o pequeno alfaiate trabalhava para que nunca faltasse a ninguém um casaquinho ou um coletinho. Toda noite, o pequeno padeiro assava pãezinhos e roscas pequeninhas, que os moradores adoravam no café da manhã. E no meio de tudo isso ficava um pequeno palácio, onde morava o rei. Muito velhinho e muito pequenininho.
Junto com o rei, no palácio, moravam as suas filhas, os seus filhos e os filhos deles. E ainda centenas de criadinhos, lacaios, cozinheiros e todos aqueles que são necessários para cuidar de uma corte real. O pequeno rei Baltazar, pois era assim que ele se chamava, governava o seu pequeno reino e cuidava para que todas as coisas pequenas fossem resolvidas como se deve. Coisas grandes quase não aconteciam. E quando aparecia uma, normalmente era sinal de problema.
E dessa vez foi assim também. O grande problema apareceu primeiro lá longe, no horizonte. De longe não parecia nada ameaçador, mas foi crescendo, crescendo, e quando chegou tão perto que o povo da cidade conseguiu ver direitinho, os coraçõezinhos de todos gelaram de medo. Um dragão! Um dragão de verdade estava chegando perto da cidade!
Era tão enorme que, com uma bocada só, poderia engolir o palácio real inteiro, com o rei, as filhas, os filhos, os netos e os criados. E com certeza não vinha com boas intenções.
O pequeno rei Baltazar levou um susto e tanto. Mas, como era velho e sábio, em vez de se esconder no cantinho mais escondido, começou a pensar em como resolver aquele problemão. Chamou depressa os seus cavaleiros e disse a eles:
— Quem espantar o dragão vai ganhar como prêmio a mão da minha filha mais nova. E, como eu já estou velho, talvez logo se torne também rei.
Assim falou o rei, e olhou para o rosto dos cavaleiros reunidos. Mas nenhum dos famosos e valentes cavaleiros correu para enfrentar o monstro. De repente, todos descobriram alguma coisa muito interessante no chão e ficaram olhando fixo para ela.
Nessa hora, da última fila, deu um passo à frente o menor de todos. Chamava-se Bartolomeu e tinha mais ou menos a altura de um rato grandinho ou de uma lagartixa. Em compensação, tinha uma coragem tão gigante que mal cabia no corpinho dele. O Bartolomeu fez uma reverência ao rei e chamou na mesma hora o seu fiel corcel. Era o corvo Valente, que o pequeno cavaleiro montava em todas as batalhas.
O Bartolomeu pulou nas costas do Valente e saiu voando ao encontro do dragão.
E logo começou a luta. O cavaleiro pequenininho e o seu corcel corajoso atacavam de novo e de novo. Uma vez com a espadinha minúscula, outra vez com a garra do corvo, outra vez com o bico. O dragão não esperava que no pequeno reino houvesse alguém tão valente para enfrentá-lo, e ficou muito surpreso. Logo se viu que, mesmo sendo muito maior, ele não ia necessariamente ganhar.
E foi aí que o monstro se assustou pela primeira vez. E, quando se assustou, de repente encolheu um pouco. Com o cavaleiro Bartolomeu aconteceu justamente o contrário. Quanto mais corajosamente ele defendia a sua cidade, maiores ficavam ele e o seu corvo. Num instantinho, o corvo já estava do tamanho do dragão. Depois o dragão encolheu até ficar do tamanho de um cachorro salsicha. E por fim, do tamanho de um pardal. Quando o dragão viu que tinha perdido a luta, deu meia-volta e fugiu para o fim do mundo.
Então o enorme cavaleiro Bartolomeu olhou lá para baixo, para a cidadezinha que tinha defendido. No jardim do palácio, viu a filha mais nova do rei e reparou que ela não tinha se escondido como a maioria dos moradores, mas tinha assistido à batalha inteira.
— Não quero mais ser tão grande assim. Afinal, quem ganha não é o maior, e sim o mais corajoso — disse o Bartolomeu, e na mesma hora começou a encolher outra vez. E quando voltou ao seu tamanho de sempre, desceu das costas do fiel Valente e foi pela cidade ao encontro da princesa.
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