
Histórias para Dormir
Como o peixinho dourado soube agradecer
O Pedrinho estava sentado na beira do mar, pescando peixes num cesto. Ele morava numa ilha pequenininha, e aquela era praticamente a única diversão nas tardes compridas. Só que ele não machucava os peixinhos de jeito nenhum: cada peixe que pegava, devolvia logo para a água.
Ele só gostava de ver as cores lindas que eles tinham. Laranja, azul-escuro, verde, roxo. Passava horas olhando o solzinho brilhar nas escamas dos bichos do mar.
Naquele dia o mar estava especialmente calmo. Dava para ver direitinho o fundo de pedras, que, mais longe da praia, ia descendo devagarinho, cada vez mais fundo. Quem tinha ensinado o Pedrinho a pescar foi o avô, de quem o menino só tinha boas lembranças.
Agora o Pedrinho morava só com a avó. Gostava muito dela, mas mesmo assim se sentia tristinho. Na ilhota deles viviam poucas pessoas, e quase não havia crianças da idade dele. Ele sabia que dali a um ano ia para uma escola de verdade e lá ia fazer amigos, mas por enquanto não tinha com quem brincar.
De repente, o cesto de pesca começou a encher de água mais depressa que de costume. Ele era bem vedado, então a água não escorria, e lá dentro um peixinho pequeno e esquisito nadava de um lado para o outro, ligeirinho.
O Pedrinho tocou nele de leve para olhar bem. O peixinho era todo dourado! O menino ficou admirando um pouquinho e já ia soltá-lo quando, de repente, o peixinho falou com voz de gente. E, veja só, com uma voz muito mais grossa e forte do que se esperaria de um peixe tão pequeno.
— Eu realizo três desejos seus. É só me deixar livre! — disse ele.
— Eu ia te soltar de qualquer jeito, seu bobinho! — respondeu o menino, sorrindo. — As suas amigas do mar não te contaram que eu nunca machuco os peixes?
E o Pedrinho o devolveu com cuidado para a água. Por um instante, bateu uma tristeza. “Que pena”, pensou. “Eu podia ter pedido um amigo.”
E esta história podia terminar aqui. Só que acontece que os peixinhos dourados de verdade são os reis do mar. Têm modos finos e fazem muita questão da sua honra. Quando alguém não tenta prendê-los, fazem de tudo para retribuir a gentileza e a bondade.
Naquela tarde, o Pedrinho ainda não sabia disso. Mas logo no dia seguinte quem explicou foram dois meninos e duas meninas que, assim do nada, bateram na porta da casinha da avó. Trouxeram um monte de jogos, cordas de pular e gizes, e cada um começou a tirar da mochila uma porção de brinquedos coloridos. O Pedrinho não acreditava no que via. De onde tinham saído outras crianças ali na ilha?
— Foi tudo por causa do peixinho dourado — explicaram. — Você foi bonzinho não só com ele, mas com todos nós. Então ele transformou a gente em crianças por um tempo, e nós aceitamos com o maior prazer. Viemos te fazer companhia durante o ano que vem inteiro, até você ir para a escola.
Que maravilha! E foi assim mesmo. As crianças-peixe moraram com o Pedrinho e a avó dele por doze meses inteirinhos. Mudaram a vida do Pedrinho para melhor e levaram muita alegria também para a pequena vila sonolenta da ilha, onde nunca acontecia nada.
E quando o menino finalmente começou a ir para a escola de verdade, no continente, todo mundo gostou dele na hora. Ele conhecia brincadeiras e diversões que as outras crianças nem sonhavam. E quando perguntavam onde ele tinha aprendido tudo aquilo, ele só sorria. Ninguém ia acreditar mesmo, se ele dissesse que foi com os peixes!
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