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O segredo que os carros antigos guardam – história infantil

Histórias para Dormir

O segredo que os carros antigos guardam

Sofia P.25 de setembro de 20263 min de leiturapara a pré-escola

Se você gosta de carros, com certeza sabe muita coisa sobre eles. Conhece as marcas famosas, como BMW, Volkswagen, Toyota ou Fiat, e também as mais chiques, como Porsche ou Rolls-Royce.

Mas será que você conhece todos os segredos deles?

Eu conheço um monte, e mesmo assim vivo descobrindo outros. Hoje vou te contar o maior de todos que eu já descobri.

Sou mecânico de automóveis há trinta anos. Faço de tudo para que os carros de que eu cuido fiquem bem. Protejo eles dos acidentes e do mau tempo. E faço isso de um jeito que os donos fiquem felizes com eles.

De vez em quando, porém, alguém me traz um carro antigo, que ficou muito tempo sem ninguém cuidar. Às vezes o carro está em bom estado, às vezes nem tanto. Mas, de um jeito ou de outro, perto deles eu sempre me sinto meio esquisito.

Por quê? Isso eu demorei muito para entender. Até que, numa manhã de inverno, quando eu estava mexendo debaixo do capô de um Bentley velho e lindo que alguém tinha me vendido, ouvi uma coisa estranha.

Umas batidinhas regulares, ritmadas, que pareciam vir ao mesmo tempo de muito longe e de muito perto. Continuei trabalhando mais um pouco, mesmo ouvindo o som cada vez mais claro. E, apesar de eu nunca ter sido de acreditar em histórias incríveis, bastaram umas horas para eu entender o que era. Não sei explicar: de repente, eu simplesmente sabia.

Um coração de aço. O coração do carro.

Eu estava ouvindo ele bater.

Batia cada vez mais forte, conforme eu limpava e consertava o carro. Quanto mais eu caprichava, mais claro eu ouvia aquele tum-tum, tum-tum bem fundo.

Quando terminei o Bentley, depois de alguns dias, ele parecia novinho em folha. Pela fresta do portão da oficina entravam raios de sol, que brilhavam na pintura polida. E foi aí que eu entendi também por que justo eu tinha ouvido o coração dele.

Os carros antigos querem ser amados. Não querem ficar parados juntando poeira. Precisam das mãos jeitosas de alguém que dê valor ao passado deles, precisam de sol, de vento e da estrada onde não andam há tanto tempo. E com as outras coisas que nos servem é parecido.

Se você cuidar delas, devagar, com jeito e com muita paciência, elas ganham vida. E retribuem ficando bonitas e funcionando direitinho.

Aí é só escutar com atenção como elas trabalham. Quem sabe elas te contam o segredo delas.

Quem sabe você também ouve um coração de aço.

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