
Histórias para Dormir
Mei e o grou de papel
Numa cidade, numa ruazinha entre as casas, havia uma escolinha onde as crianças brincavam, aprendiam e faziam amigos.
Um dia, chegou à turma uma menina nova. O nome dela era Mei. Ela tinha vindo da China, lá longe, e sabia só umas palavrinhas de português. As outras crianças estavam curiosas e queriam brincar com ela, mas não sabiam como conversar com ela.
Durante o dia, as crianças brincavam com os brinquedos e emprestavam uns aos outros. Mas a Mei não tinha nenhum brinquedo, então só ficava olhando os outros brincarem.
Depois do almoço, as crianças pegaram as mantinhas e os travesseirinhos e se deitaram nos colchonetes. Mas a Mei tinha esquecido a mantinha e o travesseirinho em casa, então não tinha onde se deitar. A professora percebeu e perguntou o que tinha acontecido. A Mei contou que tinha esquecido a mantinha e o travesseirinho.
A professora viu que algumas crianças tinham mantinhas e travesseirinhos sobrando, então perguntou se elas emprestariam para a Mei. Todas as crianças toparam na hora, e a Mei finalmente pôde se deitar e tirar um cochilo.
No dia seguinte, a Mei trouxe o seu brinquedo favorito da China – um grou de papel. Quando chegou a hora de brincar, ela mostrou às outras crianças como se dobra um grou de papel. As crianças ficaram felizes da vida e muito agradecidas.
Mas, um dia, quando as crianças estavam brincando lá fora, passou um grupinho de crianças mais velhas de outra escola e começou a mexer com a Mei. Xingavam e caçoavam dela por ser de outro país.
As crianças da turma não sabiam o que fazer. Não queriam arrumar confusão, mas também não queriam que a Mei ficasse triste e sozinha.
A professora percebeu que alguma coisa estava acontecendo e saiu para ver. Viu as crianças mais velhas caçoando da Mei e soube que precisava fazer alguma coisa.
Chamou todas as crianças para perto e disse que a Mei era especial, porque tinha vindo de outro país. Disse que cada um é diferente, e é justamente por isso que o mundo é tão interessante.
Depois perguntou às crianças como elas se sentiriam se alguém caçoasse delas por serem diferentes. As crianças entenderam que não iam gostar nem um pouco e resolveram defender a Mei.
Foram até as crianças mais velhas e disseram para elas pararem de caçoar da Mei. No começo, as mais velhas não deram ouvidos, mas, quando viram quantas crianças estavam do lado da Mei, acabaram indo embora.
A Mei ficou muito agradecida às crianças por terem ficado do lado dela. Entendeu que, mesmo cada um vindo de um lugar, todos são parecidos em muitas coisas.
Quando a noite chegou, a lua apareceu e as estrelinhas começaram a piscar. A Mei se aconchegou na sua caminha quentinha, feliz por ter novos amigos e por ter aprendido uma coisa tão importante. E, quando estava pegando no sono, sabia que amanhã ia ser um dia lindo na escolinha, porque lá os novos amigos estavam esperando por ela.




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