
Histórias para Dormir
Como os irmãos Dentão aprenderam a lição
Do outro lado de uma floresta enorme, perto do alto monte Polga, viviam três irmãos: Gustavo, Eduardo e Teófilo. Do que os três mais gostavam era andar a cavalo e sair para caçar. É que eles eram de uma família nobre, e lá os jovens senhores se divertiam principalmente assim.
Eram fortes e estudados, mas também muito metidos. Um dia, chegou à casa dos Dentão – era esse o sobrenome da família – um vendedor. Ele levava carvão para os fogões.
Mas os Dentão tinham lenha de sobra para se aquecer, porque eram donos de uma grande floresta bem ao lado da casa. Quando o vendedor começou a oferecer o carvão, Gustavo, Eduardo e Teófilo começaram a se gabar de quanta lenha tinham sobrando. Riram do vendedor, e os pais deles o mandaram embora de casa. Ele nem teve tempo de contar que estava chegando o governo do príncipe Feliciano, que queria tomar as terras dos nobres.
O vendedor ficou muito magoado e, quando foi embora da casa dos Dentão, prometeu a si mesmo que nunca mais ia oferecer carvão a eles. Quando chegou às casas vizinhas, as pessoas o receberam com muito respeito e compraram o carvão dele.
Passaram-se algumas semanas, e o príncipe Feliciano chegou à vila de Torência. Ia de casa em casa contando que agora assumia o governo do país e, junto com ele, as florestas e as vilas. Parou também na casa dos Dentão. O pai de Gustavo, Eduardo e Teófilo o recebeu com toda a gentileza, e os rapazes passaram o tempo todo falando de tudo o que o príncipe tinha feito pelo país, elogiando e tentando agradá-lo.
Na hora de se despedir, o príncipe mencionou as florestas que logo ia tomar da família. Os Dentão ficaram espantadíssimos e na mesma hora começaram a discutir com o príncipe. Mas não adiantou nada. O príncipe não deu ouvidos, queria as florestas de qualquer jeito, despediu-se zangado da família e foi embora.
Passou um mês, e o inverno estava chegando. As florestas dos Dentão agora eram do príncipe, e ele não deixava a família cortar árvores lá. O senhor Dentão mandava os filhos aos vizinhos para ver se eles vendiam um pouquinho de carvão, mas foi em vão. Então lembrou do vendedor e mandou os filhos à cidade para encontrá-lo e pedir ajuda. O vendedor era um homem bom e vendeu a eles um pouco de carvão. A família inteira entendeu como tinha tratado mal aquele homem, principalmente os irmãos Gustavo, Eduardo e Teófilo, que passaram muito tempo pedindo desculpas por tê-lo magoado tanto. E, nos anos seguintes, os irmãos sempre o receberam de braços abertos em sua casa.
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