
Histórias para Dormir
Tomás e o monstrinho do armário
Fazia um mês que o Tomás tinha se mudado com os pais para uma casa nova. Ele gostava do lugar novo e, na escola, tinha amigos novos, com quem sempre jogava futebol e andava de bicicleta. Só não gostava do seu quarto. Havia alguns dias, parecia que alguma coisa se mexia dentro do armário à noite. Lá de dentro vinham uns barulhinhos esquisitos, um arrastar pelo chão. Ele não contou nada para a mamãe nem para o papai, porque achava que eles não iam acreditar.
— Eu já tenho sete anos, sou um menino grande e não tenho medo — repetia para si mesmo.
Muitas vezes ele acordava à noite com aqueles barulhos, mas tentava não ligar. Até que, numa noite, viu as portinhas do armário se abrirem devagarinho e uma pata peluda espiando lá de dentro. O coração dele quase saiu pela boca, e ele começou a gritar com toda a força! Assim que a pata ouviu, sumiu lá para dentro, e o armário se fechou de repente. A mamãe entrou correndo no quarto, assustada, sem entender o que estava acontecendo.
Tomás resolveu não esconder nada e contou para a mamãe o que tinha visto. A mamãe sorriu, abriu o armário, mexeu nos cabides com as roupas e não encontrou nada. Virou-se para o filho e disse:
— Viu, meu bem? Não tem nada aqui. Foi só um pesadelo.
Depois o cobriu com o edredom e deixou o abajur aceso. Mas o Tomás não conseguiu mais dormir naquela noite e ficou pensando no que, ou em quem, estaria dentro do armário.
Desde então, não ouviu mais nenhum barulho no armário, e torcia para que naquela noite também fosse assim. Só que, no meio da noite, acordou com uma espécie de cantarolar baixinho. Levou um baita susto e acendeu o abajur da mesinha. E ficou mudo de espanto. Perto da prateleira dos brinquedos estava sentado um monstrinho: peludo, de orelhas grandes e olhos maiores ainda. Já ia gritar de medo, mas percebeu que o monstrinho nem estava prestando atenção nele. Estava brincando com o bichinho de pelúcia do Tomás, abraçadinho com ele. Na verdade, não parecia nada assustador, e sim bem tristinho.
De repente, o Tomás sentiu pena daquela criaturinha. Mesmo o monstrinho sendo muito maior do que ele, e mesmo com um pouco de medo, perguntou:
— Quem é você e o que está fazendo no meu quarto?
O monstrinho deu um pulo, como se tivesse acordado, e se virou depressa. Parecia ainda mais assustado do que o Tomás. Largou o brinquedo e quis fugir correndo para o armário. Mas o menino criou coragem e ficou na frente dele. O monstrinho, sem saber o que fazer, sentou-se no tapete e disse:
— Eu morava aqui com um amigo, que era o dono deste quarto. Mas, desde que a família dele se mudou, eu fiquei sozinho e estou muito, muito triste.
O Tomás passou a noite inteira conversando com o monstrinho e quase perdeu a hora da escola. Desde então, o medo passou de vez, e ele ficou amigo do monstrinho do armário. Nenhum dos dois ficou mais sozinho, e o Tomás passou a ter com quem brincar.
Pois é: às vezes vale a pena conhecer aquilo de que temos medo e fazer amizade. Vai ver que não é nada tão assustador assim.
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