O resgate da fonte mágica

Bem longe, no meio de uma floresta escura e profunda, havia uma fonte com água limpa e cristalina. Quando a água escorria pelas pedras, era como se cantasse bem baixinho. Mas aquela fonte não era comum, ela era mágica! Quem bebia da sua água se curava na hora, não importava qual fosse o machucado.

Todos os animais da região sabiam que a nascente nunca podia secar e que a fonte precisava estar sempre muito limpa. Mas às vezes a fonte corria perigo e quase perdia sua magia. E foi exatamente isso que aconteceu numa linda tarde de outono.

Histórias curtas para dormir - O resgate da fonte mágica
O resgate da fonte mágica

Naquele dia, o vento soprava forte. Uma folha ou outra caía dentro da fonte, mas isso não atrapalhava nada, pois a água levava embora rapidinho. A raposa da floresta estava com uma dor de barriga terrível. Passou o dia inteiro deitada, esperando melhorar. Quando a tarde chegou e a dor não ia embora, ela decidiu ir até a fonte mágica. 

“Vou beber um pouquinho. Só alguns goles e já vou ficar melhor. A água da fonte sempre ajuda”, dizia a raposa, caminhando devagar. Mas, quando chegou lá, levou um susto enorme. “O que é isso? Não pode ser! Socorro! Animais, amigos, venham rápido! A fonte está suja!”, gritou ela, apertando a barriga. O urso e o texugo ouviram o chamado e correram para ajudar. Eles colocaram a raposa deitada no musgo, para que ela não sentisse dor, e foram ver o que estava acontecendo.

Os dois olharam para a água, incrédulos. A fonte estava turva, cheia de lama, e as folhas estavam presas sob as pedras, em vez de boiando na superfície. O fiozinho de água nem cantava mais. O urso se ajoelhou na beira da fonte e declarou com firmeza: “Não se preocupe, fonte querida. Nós vamos te ajudar. Vamos te limpar, e depois você vai ajudar nossa amiga raposa com a dor de barriga”. E o urso fez exatamente o que prometeu.

Junto com o texugo, tirou tudo o que estava sujando a água. Eles fizeram uma barreirinha com pedrinhas para a lama não se espalhar e limparam tudo com muito cuidado. A fonte também ajudou, deixando a água correr mais forte para levar embora as últimas sujeirinhas. Depois de um tempo, ela voltou a ficar clarinha e até a cantar de novo. Depois, o urso e o texugo levaram a raposa até lá para ser curada. No primeiro gole, a dor de barriga começou a sumir. A raposa ficou tão feliz e agradecida!

A fonte e a raposa estavam salvas, mas o texugo não conseguia parar de pensar em como a fonte tinha ficado tão suja. Aquilo não era normal. Então ele e o urso decidiram ficar de guarda por alguns dias, pois talvez descobrissem alguma pista. No primeiro e no segundo dia, tudo estava normal. A fonte cantava de alegria e alguns animais vinham beber água. Mas no terceiro dia, apareceu um javali. Sem pensar duas vezes, ele entrou na fonte e começou a mexer no fundo com o focinho.

A água começou a ficar turva outra vez. Mas, de repente, o urso e o texugo pularam do mato e gritaram: “O que você está fazendo?! Javali, saia da água agora! Você vai sujar tudo de novo!”. O javali saiu, meio bravo. “Essa fonte é de todos! Eu também posso usar!”, resmungou ele. “Pode sim. Mas só para beber quando estiver doente. Você não pode entrar e ficar remexendo a lama”, disse o urso. “A fonte é mágica. Ela cura todo mundo que bebe dela, mas se fica suja, perde toda a sua força”, completou o texugo.

O javali ficou morrendo de vergonha. Ele só queria se refrescar, e nem tinha percebido que estava machucando a fonte e atrapalhando os outros animais. A partir daquele dia, a fonte ficou sempre limpinha. Continuou cantando entre as pedrinhas, feliz e brilhante. Animais de toda a floresta iam lá beber água. Até o javali apareceu algumas vezes, mas, dessa vez, só para tomar um golinho e se curar. E ele também ficou muito feliz de ver a fonte mágica brilhando outra vez.

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