
Histórias para Dormir
Como o vento convenceu a gota triste
Quando chega o outono, as folhas começam a cair. Mas não são só as folhas: muitas vezes caem também as gotas de chuva. Lá fora o tempo fica úmido, frio e escuro. No céu, as nuvens escuras vão se juntando e depois despejam uma cascata de gotinhas, que molham a nossa terra.
Num tempo assim, o melhor é ficar dentro de casa, olhando pela janela as gotas que caem das nuvens. São tantas! E eu conheço a história de uma gotinha que era igualzinha às outras, mas não se comportava como elas.
Um dia, apareceram nuvens no céu, que foram se amontoando umas nas outras. Quando a chuva já estava para cair, todas as gotas, bem obedientes, começaram a descer. Caíam aqui na terra, nos rios, nos oceanos, nos mares e nas poças. Todas sabiam como era importante molhar a terra, e sabiam também que, depois de um tempo, iam evaporar e voltar para as nuvens. É assim o ciclo da água. Mas uma das gotas não queria cair de jeito nenhum. Ficava agarrada na nuvem o máximo que podia e depois ia embora com ela para bem longe. E fazia tempo que ela conseguia ficar lá em cima sem cair.
Uma nuvem tentou convencer a gotinha: pediu com jeitinho, implorou e depois falou bem sério, mas não adiantou nada. A gotinha era teimosa e continuava grudada nela. Até que a nuvem perdeu a paciência e chamou o vento: “Ventinho, vem cá, por favor! Me ajuda! Já não sei mais o que fazer com essa gota, e não posso ficar carregando ela para sempre.” E lá veio o Ventinho. Soprou de levinho na gota triste e perguntou por que ela não queria cair.
No começo, a gota não quis falar nada, só se segurava com força. Mas depois de um tempinho percebeu que o vento era bonzinho e queria mesmo saber. Olhando triste lá para baixo, para a terra, foi contando devagar por que não queria cair: “Sabe, Ventinho, eu acho que vão esquecer de mim. Quando eu cair, vou me misturar com as outras águas e ninguém nunca vai saber que eu existi. Isso me deixa tão triste! Eu quero ser útil e importante para todo mundo. Não quero simplesmente sumir. E, além disso, eu tenho medo de altura. Morro de medo de cair assim, sem mais nem menos.”
O Ventinho entendeu, sorriu para ela com carinho e não brigou nem um pouquinho. Deu um abraço bem delicado na gota e disse uma coisa muito importante: “Minha gotinha querida, você não precisa ter medo de não ser importante. É verdade que vocês são muitas, mas cada uma tem uma tarefa muito importante. Vocês são preciosas para a nossa terra. Olha só: se uma gota pensasse que não serve para nada, nunca teria existido o oceano, onde cada gota faz diferença. E se você tem medo de altura, eu te ajudo. Levo você lá para baixo bem devagarinho, para você não cair rápido demais. Comigo você vai estar segura, fica tranquila.”
A gotinha ficou pensando um pouco no que o Ventinho tinha dito. Então percebeu que ele tinha razão e deixou que ele a levasse até a terra. A nuvem ficou toda feliz, e a gotinha nunca esqueceu as palavras do Ventinho. E você também não esqueça, viu? Às vezes você pode ficar triste como a gotinha, mas lembre que você é sempre muito importante e especial para alguém.
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